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Em abril de 1986 ocorreu o acidente nuclear de chernobil. O desastre é considerado o maior acidente nuclear da história. Um dos quatro reatores da usina, que serviam para gerar energia para a Ucrânia, explodiu repentinamente. O incêndio liberou uma nuvem radioativa que atingiu alguns países. Na época, a cidade de Pripyat estava em expansão mas, após o desastre, se tornou praticamente uma cidade fantasma. O impacto da radioatividade no local existe até hoje e os antigos moradores do local ainda sentem os efeitos da radiação. 

No livro vozes de Tchernobyl, somos apresentados a relatos de pessoas que possuem alguma ligação com o acontecimento. Seja de moradores, pesquisadores, cientistas, médicos, soldados, pessoas que sofreram algum tipo de doença ou perda após o desastre. Eles rememoram o acontecido e comentam como foi passar por aquela situação que possuía todos os sinais de uma guerra: soldados, evacuação, locais abandonados e a destruição do curso da vida. 


O material radioativo espalhado era quatrocentas vezes maior que o das bombas utilizadas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, em fins da Segunda Guerra Mundial. Logo, quem sobreviveu ainda enfrenta vários problemas de saúde, pois a terra e água da região foram contaminadas por elementos radioativos. São narrativas doloridas e impactantes de pessoas que tiveram suas vidas completamente modificadas por uma espécie de guerra que não pôde ser vista, mas sim sentida. Pois a radiação não se vê, não tem odor, nem som. É incorpórea.

"Não sabíamos que a morte pode ser tão bela. Eu não diria que ela não tinha cheiro. Não era um aroma de primavera ou de outono, mas algo completamente diferente, não era aroma de terra. Não... Picava a garganta e fazia os olhos lacrimejar."



A autora Svetlana Aleksiévitch trouxe à tona as vozes dessas pessoas, humanos que estavam presentes nesse terrível desastre. Os pensamentos, angústias e medos gerados a partir de Chernobyl são expostos a cada capítulo. Vale salientar que a jornalista bielorrussa conquistou o prêmio nobel de literatura em 2015 também graças ao livro, que foi classificado como "obra polifônica, um monumento do sofrimento e da coragem em nosso tempo". Publicado em 1997, "Vozes de tchernóbil" levou dez anos para ser escrito e reúne entrevistas com testemunhas da maior catástrofe nuclear da história.

As descrições contidas na obra são reais e as mais diversas, mas todas possuem um apelo emocional muito forte, sendo assim, uma espécie de grande reportagem, que traz à tona as mais variadas questões que entornam esse acontecimento. Vale a pena a leitura para saber um pouco mais sobre uma parte da história que precisa ser conhecida também pelo ótica humana, não apenas científica.

Gostam desse tipo de livro? Já ouviram falar nele? Me contem nos comentários!
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Se você gosta de histórias emocionantes, viajar e conhecer gente, não há dúvidas que você precisa conhecer o livro "Bandeira de trapos" da Jornalista Themis Lima. No livro encontramos vários perfis de pessoas que podem passar despercebidas por uma multidão, mas trazem histórias de vidas interessantíssimas que merecem ser conhecidas.

"Escolha um capítulo. Qualquer capítulo. Themis Lima costura em sua bandeira de trapos, pessoas que um dia foram, tornando-os em pedaços de histórias que para sempre serão. Cada um com seu mundo em particular.  Não há no universo uma pessoa que não tenha nada interessante a falar. Há apenas aquelas com quem ainda não tivemos paciência (ou tempo) de conversar. E a autora senta. Conversa. Mergulha. E nos convida para tomar o mesmo café, ver as mesmas paisagens e escutar a mesma música que, outrora, ouviu. Estranhos ilustres."


A ideia do livro surgiu quando a escritora trancou a faculdade, deixou trabalho, família e amigos pra traz e resolveu fazer uma viagem pela América do Sul retratando a vida, de uma maneira que poucos conseguem enxergar, de pessoas que encontrou em seu caminho. Um açougueiro que teve que ter responsabilidades logo cedo; dois irmãos amantes de fotografia que cuidam de uma loja  que ultrapassa gerações; um pai que perdeu seu filho na ditadura; um jovem que busca sua amada enquanto toca violão de ônibus em ônibus, e tantos outros relatos que precisam ser apreciados. São quatro países, nove meses e dez reportagens. 

O livro-reportagem traz acontecimentos verídicos que mostram a realidade de um povo apresentadas com um toque magistral do jornalismo literário. Li bandeira de Trapos recentemente e a cada novo personagem que conhecia, era como se tivesse mais um amigo. Impossível não ter a sensação de estar com a Themis acompanhando cada jornada de pessoas como nós, que carregam sonhos, aprendizados, uma verdadeira luta diária e histórias que jamais devem ser esquecidas.


Com uma capa belíssima, ilustrações incríveis e uma fotografia sensacional, bandeira de trapos não me proporcionou somente uma verdadeira aula de história sobre países que fazem fronteira com o nosso por uma perspectiva de pessoas que viveram e respiram cotidianamente a história da sua pátria, como também, uma aula sobre a vida como ela realmente é e o modo como gente como a gente contam suas histórias e ao mesmo tempo são a história.

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Jornalista. Blogueira desde 2011. Metade de mim é amor, a outra metade é fluminense, séries e los hermanos. Se você gosta disso, de indicações de filmes, livros e muito mais, esse é o lugar certo.

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