Os humanos e a ausência de humanização

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Na teoria somos diferentes dos demais seres vivos. Por sermos racionais somos seres diferenciados, ou ao menos, deveríamos ser. Racionais, como nos auto denominamos, não deveriam matar os demais por qualquer coisa, nem roubar por ser mais fácil do que suar pra conseguir seus méritos, nem apunhalar aqueles que chamamos de "amigos" por interesses banais, famílias deveriam defender umas as outras e não tentarem se sobreporem aos demais. Será que a racionalização está sendo esquecida em um mundo de pessoas sórdidas?

É guerra na síria, ataques em Paris, cidades encharcadas, negros mortos pela pm, chacinas nos mais diversos estados do país, são refugiados buscando abrigo. São sonhos sendo destruídos, ou guardados em uma mala lá em cima do armário em que ninguém consegue alcançar sem ajuda. É um mundo que passa por um momento crítico. Fechamos nossa janela de vidro e esquecemos do que está acontecendo ao nosso redor. Nos guardamos na nossa ilha e esquecemos que pela janela transparente não há como deixar de ver toda a catástrofe lá fora. Podemos até tentar encobrir com uma cortina, mas é o mundo no qual vivemos que clama por socorro. E mesmo que não fosse, o que custa prestar um pouco de solidariedade? São pessoas como nós, gente como a gente que veem toda uma vida passar diante dos seus olhos sem saberem o por quê. Falta amor, falta paz, falta amparo, falta igualdade.

Num mundo de gente vazia, em que a hipocrisia é palavra chave, não é todo dia que encontramos pessoas que se compadeçam da nossa situação, é difícil acharmos aqueles que ofereçam um abraço amigo, uma palavra de conforto, uma oração. É muito mais fácil criticar quem julgarmos certos ou errados. Difícil mesmo é acolher aqueles que precisam de uma dose de compaixão. O número de perdas é tão grande que vidas como a nossa passam a ser números, coisas; não sonhos, não realizações, tampouco sentimentos e sensações. Esquecemos a compaixão. Esquecemos a dor do outro. Abrimos mão do olhar interior e adotamos uma visão superficial. Não que algumas dores sejam maiores que outras, mas alguns caso nos tocam mais. Talvez o tiro que um amigo meu tenha levado por um pm, seja para mim mais doloroso do que ver uma família perdendo tudo que tinha com o alagamento da sua cidade. Contudo, isso não significa que a dor que eles sintam seja menor. 

A questão não é dizer que uma dor é justificável e a outra não. O que está em jogo é não se fechar no seu mundo e acreditar que o mundo é uma ilha. Precisamos ajudar uns aos outros, procurar ajudar ou buscar ajuda. É denunciar o que está acontecendo de errado, acolher uma família que precisa de amparo, é se apegar ao que crer e torcer por dias melhores. É a comunhão de atitudes e sentimentos, de modo que essas resistam às forças exteriores. É se identificar com a dor do outro. Não há muito o que fazer para contornar um problema que já ocorreu. Entretanto, é necessário utilizar, ao menos uma vez na vida, daquilo que todo ser humano deveria ser munido: humanização.

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1 comentários

  1. dores são dores e isso é inegável. Acho ridículo tentar mensurar quem merece mais ajuda que o outro. Pessoas são pessoas, amor é amor, solidariedade é solidariedade. E, assim como minas e paris, existem muitas outras situações pelo mundo precisando de atenção.
    curti o texto

    beijo
    beinghellz.blogspot.com

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