Filme: Julietta

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Julietta é um daqueles filmes que só de ouvir falar você já sente uma enorme vontade de assistir. Confesso que não curto muito ir pra estreias de filme no cinema por conta do tumulto e sessões lotadas, mas dessa vez foi diferente. Valeu a pena tirar um dia para ver o mais novo filme do meu cineasta favorito: Pedro Almodóvar. Sou encantada por cada filme dele, e dessa vez fui com as melhores expectativas, já que seria a primeira vez que veria nas salas de cinema uma produção do meu espanhol favorito.

A mais nova obra de Almodóvar conta a história de uma mulher de meia idade que está prestes a se mudar de Madri para Portugal, mas ao ver uma antiga amiga de sua filha Antía, resolve ficar e relembra o passado entre as duas ao escrever uma carta. Sendo uma adaptação de contos da canadense Alice Munro, a trama traz sua protagonista vivida por duas atrizes para representar fases distintas de sua vida. Adriana Ugarte representa a Julieta jovem, enquanto que Emma Suárez interpreta a Julieta de 50 anos.


O amor de mãe é muito bem retratado nesse filme. Julietta é uma mulher deprimida, angustiada e que procura nos seus erros encontrar uma maneira para de redimir. A história por traz da personagem é impactante e imprevisível, presa em um presente de arrependimentos e um passado que deseja modificar.

O modo como ocorre o desenrolar dos filmes do espanhol é encantador. A história começa de uma certa maneira e com o passar do tempo as coisas vão se encaixando de modo majestoso. Uma narrativa cheia de detalhes que prendem o telespectador e uma onda de expectativa que surge a cada cena. Me senti submersa em cada trecho, como se estivesse vivendo aquela história juntamente com a protagonista.


Apesar de não se fazer presente a ousadia típica desse cineasta, tudo ocorre de maneira muito intensa, desde o contexto, seu inicio e fim, até a sua fotografia, essa que possui cores fortes e vibrantes que se encaixam perfeitamente com sua história, já que as cores exuberantes contrastam com o enrendo sombrio e frio presente no longa. A atuação nesse filme é outro ponto a se destacar. O papel de Julietta parece ter sido feito exclusivamente para Emma Suárez, que demonstrou muita veemência em sua atuação.

A maneira como a mulher é retratada não só nesse filme, mas nas demais obras de Almodóvar, é fascinante. Ele consegue trazer à tona os mais diversos sentimentos que as mulheres carregam dentro de si. Suas personagens são donas de personalidades marcantes e histórias comoventes, que conseguem prender do início ao fim aquele que assiste. "Julietta" me fez enxergar através de sua história algumas das angústias do ser humano, a culpa, o passado e arrependimentos.


Já viram? Recomendo!

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1 comentários

  1. O que gosto no Almodovar é o nível poético dos filmes dele. Tudo tem um propósito e um porque, nada é aleatório, nem a cor das roupas.
    Fiquei com vontade de ver mais esse *-*

    beijo
    beinghellz.com

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