Resenha: Memória de minhas putas tristes

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Existem alguns livros que bato o olho e já quero ler. Há aqueles que eu fico com um certo receio da leitura. Mas alguns são tão aclamados que você sente uma enorme vontade de ler por causa das inúmeras indicações e bons comentários a respeito de uma obra. Essa última afirmação foi o que me fez ler "Memória de minhas putas tristes" do Gabriel García Márquez. Já tinham me recomendado a leitura do autor colombiano faz muito tempo, comecei me aventurando pela sua escrita em "Do amor e outros demônios", e resolvi começar outro exemplar do autor assim que ganhei de um amigo secreto.

Pra começo de conversa, "Memória de minhas putas tristes" é aquele livro que tem um título impactante e uma sinopse instigadora. Conhecemos um velho jornalista que ao completar 90 anos resolve se "presentear" com uma noite de amor com uma virgem. Esse senhor escreve crônicas e resenhas para um jornal, é ex-professor de gramática e vive sozinho num casarão que era de seus pais, já que nunca se casou e passou seus dias vivendo em busca de amores descartáveis, conhecendo diversas mulheres, até chegar a esta história de amor.


O escritor vive entre espetáculos teatrais, exposições de arte e às idas ao jornal. Uma rotina que acaba mudando ao encontrar no bordel uma menina de 14 anos que foi designada para uma noite de amor com ele.  Entretanto, o ato não foi consumado. Por não saber seu nome, a denominou de Delgadina. Após esse dia, O escritor virou outro. Mudou os hábitos, analisou mais a si próprio do que o mundo a sua volta. Apesar da diferença de idade, os dias descritos com Delgadina mais pareciam um romance de dois adolescentes, o primeiro amor, a beleza e a pureza dele, 

''Passei uma semana inteira sem tirar o macacão de mecânico nem de dia nem de noite, sem tomar banho, sem fazer a barba , sem escovar os dentes, porque o amor me mostrou tarde demais que a gente se arruma para alguém, se veste e se perfuma para alguém, e eu nunca tinha tido para quem. [...] '' (Pág. 93)

A descrição de Gabriel Garcia Márquez é envolvente. Por vezes me senti naquele cenário, e pude perceber o sentimento do seu protagonista em cada frase que lia, a amargura que seu personagem carrega dos dias e as lembranças que ficam não só em sua mente, mas em seu peito. Gabo descreve o amor e suas sutilezas de um modo sem igual. E nos sentimos imersos na historia de amor e todos os detalhes que fazem parte dele.


Narrado em primeira pessoa, García Márquez traz um tema polêmico com uma narração simples e envolvente, podemos por vezes confundir o que foi real ou ilusão no meio de suas memórias. Ao passar de cada página é possível reconhecer o medo do amor que seu personagem principal sente, como ele vai descobrindo a existência dele e se entregando a cada capítulo. Esse personagem, que não tem seu nome citado em momento algum, ganha a humanidade que lhe faltou enquanto temia o amor. Ao conhecer essa memória percebemos que o amor nos torna humanos, mesmo tentando resistir aos encantos dele por toda uma vida.

Já conheciam esse livro? O que acharam?

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