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Respiro futebol desde que me entendo por gente. A primeira música que ouvi com poucos dias de vida foi o hino do meu time do coração cantado por meu pai. Com 9 anos já acompanhava com afinco os campeonatos nacionais pela televisão. Com 12 comecei a treinar futsal com mais 5 meninas nos sábados pela manhã. Mas foi só com 16 que fui ver um jogo do time que torço pela primeira vez no estádio. Lá em casa somos 3 meninas, mas se tivéssemos nascido meninos teríamos nomes de jogadores de futebol. Nascemos mulheres e não tivemos jogadoras homenageadas nesse caso. Naquela época quem é que sabia que o futebol feminino existia? ou apoiava a modalidade? Até hoje, para muitos, o esporte de um modo geral, não é coisa de mulher.

Esse pensamento não surgiu do nada, ele foi instituído por uma cultura patriarcal e machista que reina em nossa sociedade. Os meninos são incentivados a praticar esportes, trabalhar e beber. Já as meninas, bem, as meninas são condicionadas a ficar em casa cuidando do lar, reproduzir e viver com seus sonhos guardados dentro do armário. Eu nunca fui conivente com essa ideia, mas não é nada fácil quebrar as regras de uma cultura que há séculos dita o que deve ser feito. Mas dar o primeiro passo é essencial. Logo, ver outras mulheres tendo domínio de suas vidas e fazendo coisas que antes só eram "permitidas" para homens nos dá um estímulo a mais.

Fruto desse pensamento conversador, as mulheres foram proibidas, durante muito tempo, de desempenharem diversas tarefas ou participarem de certas atividades. Levando para o lado esportivo, há 40 anos o futebol, no Brasil, ainda era considerado, por decreto, uma prática inapropriada para mulheres. O decreto-lei 3.199, assinado por Getúlio Vargas durante a ditadura do Estado Novo, afirmava que ”às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”. A justificativa era de que a prática feria a chamada "natureza feminina". Já pensou!?


Enfim, toda essa contextualização foi motivada graças a copa do mundo feminina que aconteceu esse ano na França. Nessa edição 24 seleções participaram do maior evento esportivo no futebol feminino que aconteceu apenas 8 vezes durante toda a história. Para se ter uma ideia, a primeira edição da copa do mundo feminina foi realizada apenas em 1991. O torneio foi ignorado durante muitos anos não só por emissoras de televisão abertas e fechadas no Brasil, mas pelo público em geral. Hoje, as coisas são um pouquinho melhores, conseguimos ver os jogos da seleção brasileira feminina em TV aberta, mas muitas partidas ainda foram esquecidas e veiculadas apenas nas emissoras fechadas.

A disparidade entre futebol feminino e masculino começa desde a fundação das seleções em nosso país, pois a primeira seleção masculina foi criada em 1914, mas a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) só montou um time feminino mais de 70 anos depois, em 1988. Se a discrepância fosse apenas no tempo seria menos ruim, mas os patrocínios e a diferença salarial são gritantes. A atleta Marta, por exemplo, é a maior ganhadora de prêmios de melhor jogadora de futebol de todos os tempos (6 vezes) e ainda assim ganha o equivalente a € 340 mil por temporada, enquanto Neymar (que nunca conquistou o prêmio), por exemplo, recebe € 91,5 milhões (R$ 396 milhões). Com isso, o salário de Marta é apenas 0,3% do rendimento anual do jogador.

Esse não é um post apenas sobre comparações ou indignação mas é, antes de tudo, um post sobre representatividade. É sobre olhar pra TV e ver mulheres sendo protagonistas de suas carreiras. Sobre se espelhar nas jogadoras que possuem garra e habilidade sem igual. É ainda sobre acreditar que um dia não vamos ouvir que futebol feminino é ruim porque mulher devia estar em casa lavando a louça. Ver mulheres ocupando lugares que por muito tempo foram proibidas, é algo que vai além das palavras, é um sentimento de força e persistência, de pertencimento, que reverbera em todas as meninas. É confirmar que podemos ser mais do que aquilo que nos impõem ou designam. É acreditar no nosso potencial e não deixar que ninguém nos menospreze por conta do gênero. Por isso é preciso sonhar, persistir, lutar e jogar como uma garota. Nós estamos juntas!

Gostam de futebol? O que acham das imposições de gênero? Me contem nos comentários.
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Desde crianças somos influenciados pelas mais diversas pessoas de que esporte é coisa pra homem. Todo o apoio comercial é oferecido para as seleções masculinas. No futebol, o público só comparece em grande massa para os jogos dos meninos e a grande mídia oferece quase todo seu espaço para divulgar suas respectivas competições. Ser mulher e ser esportista não é coisa fácil. Nunca foi. A inserção da mulher nesse campo tem acontecido de forma irregular, os êxitos foram conquistados com muitas dificuldades.

Na Grécia Antiga surgiram os primeiros jogos olímpicos, as panatéias, em que as mulheres tinham sua participação proibida, com a justificativa de que poderiam ter danos fisiológicos, já que o acesso ao local das provas era muito íngreme. Foi somente no século XVIII e início do XIX que a mulher começa a retomar o acesso aos esportes, quando cavalheiros ingleses passam a levar suas esposas a assistir alguns eventos como corridas de cavalo. Época que as mulheres iniciam a participação em eventos tipicamente masculinos, como boliche, arco e flecha e alguns esportes praticados na neve.

No Brasil, essas tiveram sua participação no esporte, primordialmente, no período de independência com a chegada dos imigrantes europeus. As mulheres da elite tinham maior acesso aos bens culturais e a educação, além de algumas práticas advindas da Europa como a ginástica e algumas modalidades esportivas como a natação e o tênis. No entanto, participar das praticas desportivas não foi, nem é tão simples quanto aparenta. 

Muitas meninas são julgadas pelo simples fato de querer, por exemplo, praticar futebol. Questionam sua orientação sexual, sua vontade e até mesmo se a prática é resultante de um desejo de ficar mais próxima dos garotos. Quando conseguem mostrar para que vieram, ao apresentar uma força de vontade imensa e um talento evidente achando que enfim conseguiram um lugar ao sol, são vítimas da falta de oportunidade, da discrepância salarial e  do preconceito.

A falta de oportunidade é algo muito recorrente, elas precisam treinar ou jogar com times mistos por falta de incentivo ao esporte, por não ter onde treinar, por não ter como. No que diz respeito ao preconceito, é muito frequente escutarem frases desestimulantes: um "Jogue como um homem", "lugar de mulher é cuidando da casa", dentre tantos outros insultos que sou incapaz de mencioná-los. Lamentável.

Como se já não bastasse tudo isso, as meninas que conseguem se destacar no que fazem sofrem com a discrepância salarial. Alguns esportes conseguem premiar homens e mulheres igualmente, como é o exemplo do Tênis que premia há mais de 10 anos homens e mulheres igualmente em um de seus torneios. Entretanto, não é difícil encontrar aqueles em que as mulheres ainda recebem pouco em comparação aos homens. As lutadoras de MMA  recebem menos da metade que homens no UFC, por exemplo.

No que diz respeito a visibilidade, as modalidades masculinas sempre receberam uma atenção muito maior que as femininas, tendo impacto direto com a afeição que os telespectadores têm, já que as práticas masculinas são mais difundidas. Em contrapartida, as práticas realizadas pelas mulheres são esquecidas, invisíveis ou não recebem a divulgação que merecem. As poucas vezes que conseguem são em grandes torneios, como os jogos olímpicos, por exemplo.

Nos último dias, o foco do país está voltado para as conquistas de lugar no pódio, medalhas e vitórias das mulheres nas olímpiadas. Diante desse impacto, as competições em que as brasileiras estão participando nesses jogos vem ganhando mais torcedores, esses que que veem nas meninas uma maior representatividade, mais foco, mais determinação. Entretanto, o que muitos não lembram é que os jogos olímpicos é um dos poucos eventos que fazem com que as meninas ganhem o destaque na mídia que tanto merecem, esse destaque que buscam diariamente e que sofrem com a falta de apoio tanto dos patrocinadores, quanto do público.

Apesar das adversidades, as mulheres invadiram os campos de futebol, as quadras e tudo que diz respeito a prática esportiva, tornando-se assim campeãs não só de suas práticas esportivas, mas principalmente dos seus próprios limites. A primeira medalha de ouro conquistada nos jogos olímpicos do Rio 2016, veio da força de uma mulher, Rafaela Silva, que conquistou no tatame a tão merecida medalha. Com garra, não só Rafaela, mas as demais mulheres adentraram no mundo esportivo e vem nos mostrando a cada dia que passa que o esporte é sim para homem e mulher. Por isso, tenhamos como exemplo as meninas que lutam, jogam e não desistem de seus objetivos. Persista como uma mulher!
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O dia 8 de março está sendo frequentemente lembrado pelo dia das mulheres. Dia em que os namorados, esposos, filhos e até mesmo desconhecidos presenteiam as mais diversas mulheres. Não são só presentes materiais, são homenagens singelas nas redes sociais, um sorriso receptivo ou até mesmo uma simples frase: "feliz dia da mulher". Mas será que as mulheres merecem somente esse dia feliz ou os demais dias que constituem sua vida? 

Essa data que tornou-se comemorativa, na verdade é nada mais do que um dia de recordar, um dia de luta. No dia 25 de março de 1911 centenas de mulheres buscavam reivindicar seus direitos, nessa ocasião, a da diminuição da jornada de trabalho. Mas infelizmente, o que deveria ser direito, acabou se tornando uma fatalidade. Cerca de 130 mulheres foram mortas carbonizadas em  uma fábrica têxtil de Nova York vítimas de um incêndio. E esse foi o marco para que as mulheres começassem a luta pela igualdade de gêneros, pelo seu lugar na sociedade.

Um século depois, nossa realidade está aos poucos se modificando, é possível perceber uma leve, mas relativa mudança. Entretanto, estamos somente no início de uma grande luta pelo nosso lugar por direito na sociedade. Somos julgadas pelo que vestimos, pelas nossas profissões, pelo nosso corpo, por nossas escolhas e principalmente por sermos mulheres! Somos as vítimas de diversas histórias, mas quase sempre somos retratadas e vistas pela sociedade patriarcal como culpadas. São inúmeros os assédios que sofremos cotidianamente, seja físico, seja moral, somos vítimas todos os dias e tememos quase tudo, já que sofremos durante séculos e nos calamos. Mas hoje não, hoje estamos soltando nossa voz, juntas, já que juntas somos mais fortes. Somos invencíveis, eu diria.

Por isso não quero presente. Não me traga rosas, nem seu "feliz dia da mulher" quando você passa uma grande parte do tempo julgando as mulheres, maltratando as mulheres, tentando calar nossa voz. Não me dê presentes, mas sim aquilo que é meu por direito. Exijo respeito, pois sou mulher, sou gente, embora esqueçam disso todos os dias.

Há um caminho longo e árduo pela frente. A igualdade, infelizmente, ainda se encontra muito distante da realidade na qual vivemos. Contudo, não vamos abaixar nossas cabeças, pois nossa luta é para hoje, é para amanhã, é para sempre. Lugar de mulher é exatamente onde ela quiser.
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Jornalista. Blogueira desde 2011. Metade de mim é amor, a outra metade é fluminense, séries e los hermanos. Se você gosta disso, de indicações de filmes, livros e muito mais, esse é o lugar certo.

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