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Quanto tempo, gente! Tenho dado uma sumida daqui porque agora estou trabalhando bastante. Nesses últimos meses muita coisa aconteceu, uma delas é que me tornei jornalista. Minha formatura foi no final de julho e no comecinho de agosto reuni minha família, amigos e pessoas especiais para comemorar comigo esse momento tão importante na minha vida. A turma que me formei não quis festa, então resolvi fazer uma comemoração individual bem informal para celebrar essa conquista. Apesar de não ser nada grandioso, me preparei muito para esse momento e trouxe pra vocês os detalhes desse dia.

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Ano passado foi um ano e tanto! Aconteceram tantas coisas que já estamos no ano seguinte e ainda não consigo distinguir o que aconteceu antes ou agora. Enfim, para quem não sabe estou encerrando o ciclo da minha graduação em jornalismo no meio de 2019. Foram tantas emoções que não sei explicar muito bem o que estou sentindo, é meio que um misto de ansiedade e medo do que está por vir. Mas acho que é isso mesmo que fechar ciclos traz na gente. Parece que foi ontem que deixei amigos, família e minha cidade pra vir em busca do meu sonho e estamos quase lá. 

Na grade da minha universidade, o Trabalho de Conclusão de Curso de jornalismo fica alocado no 9º período (o último). No entanto, por motivos maiores, precisei adiantar o trabalho para o semestre anterior. Nem preciso explicar que foi uma correria e tanto, né? O que era pra ser feito em 6 meses, teve que se reduzir a 4, contando definição do tema e metodologia, pré-projeto, construção do produto, relatório e apresentação. O projeto consistia na produção de um livro reportagem sobre a adoção no nosso estado.

Resolvi fazer o trabalho final com minha melhor amiga da graduação, pois tínhamos ideias bem parecidas, fizemos atividades em dupla o curso inteiro e nos identificávamos com a temática escolhida. Mesmo com uma pessoa maravilhosa ao meu lado, foram dias e noites de muito estresse, correria e foi necessário ter muita paciência para que o trabalho não desandasse no meio do caminho. O lado negativo de se ter uma dupla é que apesar de ser um único produto, era necessário fazer dois relatórios e dois pré-projetos, ou seja, mais tarefas. O lado bom é que alguém vai estar sempre motivando o outro a não desistir ou procrastinar. Isso foi essencial!


Escrever "Elos e laços - um retrato da adoção no Rio Grande do Norte" nos possibilitou conhecer um pouco mais das várias vertentes presentes no ato de adotar. Conversamos com cerca de 16 pessoas e sentimos um pouco do que elas sentem com a adoção. A sensação foi tão incrível quanto tirar a nota máxima no TCC de jornalismo (e tiramos). Estudamos muito sobre o assunto, entrevistamos a parte técnica e jurídica do processo, fizemos o levantamento de dados, participamos do curso de adoção e conhecemos crianças que sonham com uma família. 

A realização desse trabalho nos fez conhecer um lado da adoção que muita gente ainda desconhece. Existem milhares de crianças e adolescentes em busca de uma família, mas o número de pessoas que querem adotar supera o número de crianças aptas para a adoção, ou seja, todas as pessoas que precisam de uma família poderiam ter um lar se não fosse o perfil estipulado pelos pretendentes (a maioria prefere bebês brancos do sexo feminino, enquanto que a realidade é a oposta). Por meio de capítulos, mostramos histórias de pessoas que sonham em adotar, que foram adotadas ou que passaram toda uma vida em instituições de acolhimento.


Ouvir falar em TCC sempre me causou aflição. Me diziam que o trabalho final causava muito estresse, noites mal dormidas e exigia muito tempo. Realmente foi um pouco disso. Mas realizar este trabalho ao lado de pessoas espetaculares foi incrível. Tive uma dupla maravilhosa, um orientador pra não botar defeito, uma banca linda e o apoio incondicional de família, amigos e pessoas especiais.  Retratar a temática através de um livro-reportagem foi uma tarefa trabalhosa e, ao mesmo tempo, linda. Essa foi, sem dúvidas, uma das experiências mais marcantes que passei durante a graduação e durante a vida. Sensação de dever cumprido. Que venham novos sonhos!
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Foto: Ney Douglas

São 10:20 da manhã. Estou finalizando a minha primeira pauta do dia. Nela, mostrei o trânsito da cidade, conversei com a população e pude perceber o clima de insegurança que estava nos olhos de cada uma daquelas pessoas. A pressa pra voltar pra casa reinava, já que numa cidade onde a segurança é inconstante, tudo que mais se deseja é estar no conforto e proteção do lar. Assim que entro no carro para voltar à redação do jornal recebo uma ligação. Outra rebelião se iniciava na penitenciária de Alcaçuz. A equipe não pestanejou e corremos para lá. Precisávamos colher a informação de perto e deixar a população informada. É pra isso que o jornalismo serve, né? ser um canal entre as informações e o público.

Este já era o sexto dia de tensão na maior prisão do Rio Grande do Norte. Duas facções criminosas, o PCC e o Sindicato do crime do RN, estavam se confrontando. Somente no último final de semana, 26 detentos tinham sido mortos, a maioria decapitados. O estado já não tinha mais controle do local que é de sua responsabilidade. Chegamos e corremos com nossos equipamentos. O "quebra pau" estava rolando. O barulho era muito intenso. Foi a primeira coisa que ouvi e vi. Tiros por todo o lado. Os policiais na guarita tentavam controlar o confronto, quando uma facção ficava próxima da outra os tiros de borracha minimizavam a situação. 

Minha miopia dificultava a observação, mas não tinha dúvidas que aquela era a melhor definição de guerra que pude encontrar na vida. Dois lados que buscavam destruir o outro, a qualquer custo, de qualquer maneira. Pela distância, mal conseguia distinguir um preso de outro, muito menos seus olhos, mas se pudesse enxergar de perto o olhar daqueles homens, eu diria que eles tinham sede, sede de vitória, de destruir o outro, de salvar a própria pele. 

O sol do meio dia irradiava por aquele amontoado de dunas e vegetação seca. Muitos jornalistas estavam ali fazendo a cobertura para seus veículos de comunicação, alguns sem dormir direito desde o início da rebelião. Buscavam o melhor lugar, o melhor ângulo, sem deixar de lado a precaução com a própria vida. O som de motos imergiu no meio do barulho dos tiros, assim como o choro de quem estava nelas. Duas mulheres, esposas de presidiários, gritavam e choravam muito vindo em direção à imprensa. O marido de uma de suas amigas, que também estava em Alcaçuz, tinha acabado de levar um tiro na cabeça. Elas protestavam contra o governo, ao mesmo tempo em que pediam misericórdia pela vida de seus parceiros.

Após colher os depoimentos. Corremos para as dunas, onde se concentravam ainda mais jornalistas, e  onde teríamos uma visão mais ampla dos acontecimentos. A areia quente atingia nossos pés, assim como os galhos da vegetação esbarravam em nosso corpo, não havia tempo para pensar, a informação tinha pressa e nós precisávamos estar à par delas. Os tiros se encerravam, mas em frações de segundos voltavam à tona. Pedras eram arremessadas de um pavilhão para outro. Um, dois, três tiros seguidos. A paz naquele local era um adjetivo inutilizado há algum tempo.

A sede por informação tomava conta das pessoas ali presente. Muitos eram os boatos, poucas as confirmações. Passei poucas horas em cima daquele morro observando a situação da penitenciária de Alcaçuz, mas a sensação era de que muito mais tempo tinha se passado, e de que aquelas imagens que estavam diante de meus olhos nada mais eram do que verdadeiras repetições. A sensação de impotência tomou conta de mim. Meu maior medo era a incapacidade de manter uma informação em tempo real sem me equivocar. O medo não me dominou, mas ele segurou meus braços, coisa que o estado foi incapaz de fazer, até o momento, no caos que o Rio Grande do Norte passa hoje.

São tempos difíceis na terra das dunas, do sol, e mais do que nunca, da insegurança.
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Jornalista. Blogueira desde 2011. Metade de mim é amor, a outra metade é fluminense, séries e los hermanos. Se você gosta disso, de indicações de filmes, livros e muito mais, esse é o lugar certo.

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