Não se avexe!
Home Sobre Perguntas frequentes Parcerias Contato
Tecnologia do Blogger.

Talvez o amor seja isso mesmo: doses de felicidade, euforia e também de saudade.
É encontrar no outro um lar, mas também não ter receio de voar quando precisar.
Também é saber que tudo que emana deve ser verdadeiro, mas sempre conter muito respeito pelo que o outro é, foi e que um dia será.

O amor não precisa ser pra sempre pra ser amor
tampouco precisa de uma tragédia para chegar ao fim
Não precisa de um manual de instruções de como se comportar com a pessoa amada, mas deve ter uma série de atitudes que não se deve tomar.

Ele está nas pequenas coisas, nas manias do outro, nos lugares que já passaram e os planos que ainda sonham.
Talvez as coisas mudem, o tempo passe, as pessoas se distanciem e continue sendo amor, mesmo que esteja guardado como uma caixinha de música no fundo da gaveta. 
Ele continua ali, mesmo que sua essência não seja vivida como era diariamente.

Amor também é deixar ir.
Amor também é desistir.
Também é deixar o outro crescer e procurar sua felicidade, porque ela não deve ser resumida a uma pessoa só.
Não é prender, não é moldar, não é deixar em cima do altar. Isso pode ser outra coisa, só não é amor.
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
7 comentários. Clique aqui para comentar também!

O êxito sempre foi algo instituído para que seguíssemos adiante com a sensação de plenitude. Passar no curso dos sonhos, encontrar a pessoa certa para compartilhar a vida ou conseguir aquela promoção no emprego são só alguns exemplos de como existe uma espécie de caminho pré-definido para a definição da felicidade. É como se quem fugisse do roteiro ou não alcançasse os objetivos designados pela sociedade não fosse digno de ser um vencedor. Essa ideia de felicidade roteirizada pode até fazer um pouco de sentido, mas nem tanto.
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
10 comentários. Clique aqui para comentar também!


Um dia vou embora e só ficarão as lembranças de quem fui, do que disse, do que vivi. 
Dos sonhos, dos laços de amizade, de tudo que ainda tinha para conhecer.
Dos livros que nunca li, dos beijos que não dei, dos lugares que jamais pisarei. 
Os que ficaram, irão relembrar os momentos de felicidade, de como a vida é breve, de como precisamos viver como nunca. 
Vão achar meus cadernos antigos, as postagens de 2 meses atrás nas redes sociais, descobrirão coisas que apenas um nicho de conhecidos sabiam, histórias únicas, relembradas com imenso pesar. 
Rolarão as fotos da minha galeria do telefone e encontrarão momentos tão felizes que ninguém sequer imagina que um dia todos iremos partir. 
São sorrisos nas saídas com os amigos, nos momentos descontraídos com a família, nas fotos repletas de sentimentalismo com o amado. 
As lágrimas correrão pelo rosto ao lembrarem de quem um dia foi amiga da época da escola, conhecida de vista do trabalho, das amizades em comum ou apenas uma garota que morava na mesma cidade. 
Lembrarão que a vida pode ser boa, na maior parte das vezes dura, mas que ela um dia se esvai. 
A vida passa. 
Ficam os sorrisos, 
as palavras, 
ficam o sentimentos 
e as lembranças.
Ah, as lembranças! 
Enquanto existir vida as lembranças serão as únicas que nunca morrerão.
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
5 comentários. Clique aqui para comentar também!
Era mais um dia em que voltava cansada da rotina dupla de estágio, aulas até dez da noite e com trabalhos para fazer, quando desabafei: "não aguento mais essa rotina, quero que termine logo." De ímpeto, minha mãe que estava comigo nesse dia respondeu: "isso é só uma fase, filha. Logo vai passar". Tenho certeza de que se a gente acreditasse mais em frase de mãe muitos estragos e decepções mundo a fora seriam evitados. Porque, mais uma vez (pra variar), ela estava certa.

É assim e sempre foi assim. Os conselhos de mãe são certeiros. Falou é tiro e queda pra acontecer. Foi assim quando estava no ensino médio, na correria de me dividir entre dois turnos de aula, cursinho, trabalho de conclusão do técnico e mais um monte de coisa. Na época mamãe falou que ia passar tão rápido que eu nem ia me dar conta. E foi exatamente o que aconteceu. Hoje, quase quatro anos depois, sinto uma saudade absurda de tudo que vivi na época.

A rotina não é mais a mesma. Não levanto mais às 6h para ir para outra cidade encontrar os velhos amigos de turma, ficar no intervalo rindo da nossa própria desgraça ou fofocando das aulas anteriores. Não vai ter mais depois do almoço o momento em que todos ficávamos sentados no centro de convivência torcendo para que todo mundo fosse aprovado numa universidade e a correria acabasse (nem sabiamos que estava apenas começando). Dói mais ainda quando lembro da noite, que ficávamos até às 22h vendo aula de química, física, biologia e quando sobrava tempo íamos comer cachorro quente e tocar violão.

As coisas nunca mais serão as mesmas. Você pode tentar voltar para os mesmos lugares que um dia viveu momentos incríveis, mas nem todas as pessoas que fizeram parte daquilo contigo estarão lá, e se estiverem, não serão mais as mesmas pessoas de anos atrás. Você pode tentar reviver momentos, situações, mas nada jamais será do jeito que um dia já foi. E tudo fica ainda mais difícil quando se vira adulto. As responsabilidades triplicam, os amigos seguem rumos diferentes e é cada um por si.

Um dia tudo que se vive hoje será apenas saudade. Da mesma maneira que sua rotina anterior também já se tornou uma linda lembrança. As vezes (tipo agora) me sinto nostálgica com esse tipo de situação. Quando as recordações de tempos anteriores vem à tona é impossível não querer correr pro passado. Mas existe uma parte super positiva nisso tudo: a de valorizar e viver intensamente tudo que temos no agora. Viver como se não houvesse amanhã, aproveitar todos os momentos, se permitir ser feliz sem adiar momentos, sem guardar sentimentos. 

Por isso, se permita viver intensamente tudo que tem agora, pois o amanhã nem sabemos se virá. E a rotina? ah, ela vai existir. Mas também um dia virará saudade.
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
9 comentários. Clique aqui para comentar também!

Por volta dos 15/16 anos a gente quer mesmo é viver. Sem muitos planos ou sonhos, a vida é ali e agora. E pronto. Resolvido. Mas eu sempre fui uma menina muito sonhadora. Daquelas que passa horas imaginando se seria mais interessante morar num lugar frio, mas cheio de roteiros pra percorrer, ou num lugar quente, mas pertinho da família. Aos poucos as escolhas veem à tona e precisamos nos decidir. Porque até mesmo não tomar atitude nenhuma é uma forma de decisão. E logo eu, a mais indecisa do mundo, com ascendente em gêmeos, preciso escolher por mim. Já cantava los hermanos "Ora, se não sou eu, quem mais vai decidir o que é bom pra mim?"

Por ser muito sonhadora, eu já tinha uma espécie de futuro planejado: jornalismo, federal do meu Estado, formatura antes dos 22, independência financeira, pessoal e amorosa. Perfeito, né? A vida me mostrou que não é bem assim. O lugar em que estou hoje é praticamente o que sonhei há cinco anos. Talvez bem mais do que sonhei. Mas a conclusão que chego até aqui é de que o que realmente tem sido importante de lá até aqui não foi o que conquistei ou a rotina que levo hoje, mas o caminho pra chegar no agora. As pessoas que conheci, novos sonhos que estipulei, as quedas, as vezes que levantei, as perdas e os ganhos. Tudo isso tem sido muito importante até então.

Mesmo estando exatamente onde queria estar, ainda sinto a ausência de muitas coisas. A independência financeira é muito boa, mas diante da rotina corrida, fica quase impossível viajar e aproveitar o dinheirinho extra no fim do mês. Estar quase se formando é um pouco amedrontador pela incerteza do futuro diante do momento político que o país passa hoje. Poder sair para onde quiser, na hora que preferir, não têm tanta graça depois de um dia cansativo em que você só quer deitar na cama e ver netflix. Depois de tudo isso ficou claro que eu não sei o que esperar dos cinco anos que vem pela frente e que nós nunca estaremos 100% satisfeitos com algo, mesmo que a gente tenha sonhado muito com aquilo. E sabe? acho isso demais! Porque são os nossos sonhos que nos movem, e se novas metas não surgissem, ficaríamos estagnados no mesmo lugar durante uns 30 anos.

Precisei de cerca de cinco anos para me dar conta de que tudo que fazemos hoje é refletido no amanhã e de que a vida é isso, é o agora, e que precisamos aproveitá-lo do jeitinho que ele é. Cheio de incertezas, de planos que ficaram pelo caminho, de pessoas que passaram e outras que chegaram. E que bom que a vida pode ser bem mais do que um ritual do que fazer a cada dia, a cada ano, a cada hora. É muito chato viver com um manual de instruções nas costas definindo que devemos nos formar aos 22, casar aos 25, construir uma família antes dos 30 e falar pelo menos 3 idiomas aos 18 anos para sermos pessoas bacanas. A reflexão que levo de tudo isso é que é muito bom ter planos, mas olhar pra trás e perceber que o caminho que trilhamos foi essencial para sermos o que somos hoje e necessário para o nosso amanhã.

A vida não tem um manual de instruções.
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
Sem comentários. Clique aqui para comentar também!


És livre. 

Entre as quatro colunas que sustentam esse sentimento não há nenhum muro ou grade que te impeça de sair;
És livre para ir quando bem entender. 
Suas asas não estão cortadas 
Podes bater vôo, 
Explorar lugares, viver seus sonhos; 
Eles são as coisas mais lindas que se pode ter; 
Saias pra onde quiseres, ria até a barriga doer, beba cerveja com os amigos, cante até o amanhecer.
Espero que sejas inteiramente feliz 
Da sua maneira 
No caminho que preferir seguir. 

Amo sem amarras 
Sem ressalvas
Sem pressão 
Amo como quem não sabe o que não é amar; 
Como se não existisse se quer uma outra opção.
No entanto, saibas que, apesar de livre, o sentimento que pulsa aqui dentro é inteiramente impetuoso
Nosso. 
Apenas nós dois. 
Como uma combinação perfeitamente simétrica de uma melodia que precisa ser ouvida
Bela, encantadora, mas arrebatadora.

Te espero como os pássaros que aguardam o nascer do sol para baterem asas;
Te gosto assim como um imã é capaz de se agarrar a uma superfície metálica com facilidade;
Te sinto avidamente igual cheiro de comida em casa da vó;
Te quero como se nenhum amor no mundo fosse parecido com o teu;
És livre
Inteiramente livre
Mas especialmente amor meu.


Paulina Oliveira
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
1 comentários. Clique aqui para comentar também!
Foto: Ney Douglas

São 10:20 da manhã. Estou finalizando a minha primeira pauta do dia. Nela, mostrei o trânsito da cidade, conversei com a população e pude perceber o clima de insegurança que estava nos olhos de cada uma daquelas pessoas. A pressa pra voltar pra casa reinava, já que numa cidade onde a segurança é inconstante, tudo que mais se deseja é estar no conforto e proteção do lar. Assim que entro no carro para voltar à redação do jornal recebo uma ligação. Outra rebelião se iniciava na penitenciária de Alcaçuz. A equipe não pestanejou e corremos para lá. Precisávamos colher a informação de perto e deixar a população informada. É pra isso que o jornalismo serve, né? ser um canal entre as informações e o público.

Este já era o sexto dia de tensão na maior prisão do Rio Grande do Norte. Duas facções criminosas, o PCC e o Sindicato do crime do RN, estavam se confrontando. Somente no último final de semana, 26 detentos tinham sido mortos, a maioria decapitados. O estado já não tinha mais controle do local que é de sua responsabilidade. Chegamos e corremos com nossos equipamentos. O "quebra pau" estava rolando. O barulho era muito intenso. Foi a primeira coisa que ouvi e vi. Tiros por todo o lado. Os policiais na guarita tentavam controlar o confronto, quando uma facção ficava próxima da outra os tiros de borracha minimizavam a situação. 

Minha miopia dificultava a observação, mas não tinha dúvidas que aquela era a melhor definição de guerra que pude encontrar na vida. Dois lados que buscavam destruir o outro, a qualquer custo, de qualquer maneira. Pela distância, mal conseguia distinguir um preso de outro, muito menos seus olhos, mas se pudesse enxergar de perto o olhar daqueles homens, eu diria que eles tinham sede, sede de vitória, de destruir o outro, de salvar a própria pele. 

O sol do meio dia irradiava por aquele amontoado de dunas e vegetação seca. Muitos jornalistas estavam ali fazendo a cobertura para seus veículos de comunicação, alguns sem dormir direito desde o início da rebelião. Buscavam o melhor lugar, o melhor ângulo, sem deixar de lado a precaução com a própria vida. O som de motos imergiu no meio do barulho dos tiros, assim como o choro de quem estava nelas. Duas mulheres, esposas de presidiários, gritavam e choravam muito vindo em direção à imprensa. O marido de uma de suas amigas, que também estava em Alcaçuz, tinha acabado de levar um tiro na cabeça. Elas protestavam contra o governo, ao mesmo tempo em que pediam misericórdia pela vida de seus parceiros.

Após colher os depoimentos. Corremos para as dunas, onde se concentravam ainda mais jornalistas, e  onde teríamos uma visão mais ampla dos acontecimentos. A areia quente atingia nossos pés, assim como os galhos da vegetação esbarravam em nosso corpo, não havia tempo para pensar, a informação tinha pressa e nós precisávamos estar à par delas. Os tiros se encerravam, mas em frações de segundos voltavam à tona. Pedras eram arremessadas de um pavilhão para outro. Um, dois, três tiros seguidos. A paz naquele local era um adjetivo inutilizado há algum tempo.

A sede por informação tomava conta das pessoas ali presente. Muitos eram os boatos, poucas as confirmações. Passei poucas horas em cima daquele morro observando a situação da penitenciária de Alcaçuz, mas a sensação era de que muito mais tempo tinha se passado, e de que aquelas imagens que estavam diante de meus olhos nada mais eram do que verdadeiras repetições. A sensação de impotência tomou conta de mim. Meu maior medo era a incapacidade de manter uma informação em tempo real sem me equivocar. O medo não me dominou, mas ele segurou meus braços, coisa que o estado foi incapaz de fazer, até o momento, no caos que o Rio Grande do Norte passa hoje.

São tempos difíceis na terra das dunas, do sol, e mais do que nunca, da insegurança.
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
Sem comentários. Clique aqui para comentar também!

Saudade é tudo aquilo que não devia existir
Que se torna tão bonito pra quem não consegue sentir
É o que parece pacífico
Mas que maltrata até ferir

Saudade é o que tira o sono e ameaça machucar
Que não tem remédio que cure
E não escolhe quem pegar
Não tem gênero, nem cor
Que ela não transforme em seu lar

Saudade é quando o relógio não parece seu amigo
Que por vezes é aliado,
Nas outras inimigo
Que faz do corpo do outro um eterno abrigo

É quando o calendário resolve estagnar
Quando os sonhos se deslocam
Em busca de um lugar
Quando se quer está presente
Até mesmo sem estar

Saudades da antiga rotina
Do coração firme
E não uma ruína
De quando a vida era calmaria
E não uma turbina

Saudade do abraço que deveria durar pra sempre
Dos sonhos que construímos juntos
Do cheiro que fica na gente
De quando a vida não era só sentimento
Era guiada pela mente

Saudade de tudo aquilo que não devia ter validade
Dos dias mais bonitos
Das velhas amizades
Do amor que parte na hora
Que mais estamos com saudades
De quando o coração vira um misto
De tristeza e ansiedade

Saudade é tudo aquilo que devia ser eterno
Que ao invés de ser o céu
Pode parecer inferno
Que faz dos dias mais quentes
Se transformarem em um verdadeiro inverno

Saudade é o que fica quando todos já se foram
De quando o tempo encurta
E um coração é pouco
De quando as ruas estão cheias
E a vida parece um oco

Saudade é tudo o que não conseguimos descrever
É quando o coração fica pequeno
E ameaça desaparecer
Que amarga nosso peito
E nos faz estremecer
É quando a hora do reencontro esquece de aparecer

Saudade é aquilo que mata, mas também que fortalece
É o que faz o choro em um segundo virar prece
É o que faz meu coração ainda palpitar
É quando a partida só ajuda a machucar
É quando tudo o que mais se quer
São mais horas pra ficar
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
Sem comentários. Clique aqui para comentar também!

Quem passa pelo setor dois da Universidade Federal do Rio Grande do Norte por volta das 14h, certamente encontrará um senhor de pele morena, de barba, óculos de grau e um pouco careca, vendendo salgados, chocolate quente, café, bolo e brigadeiro. O senhor retira da caixa de isopor dois tipos de cada salgado e coloca na estufa, põe sobre a mesa as travessas com bolos, e vários potinhos com molhos de variados sabores, montando assim sua venda na parada de ônibus. “Tenho que mostrar o que tem para vender, se não o pessoal pensa que não tem” comenta o senhor que traz no olhar um misto de ansiedade e alegria.

Simpático ao atender cada cliente, ele fala manso e sorridente. Esequiel Pereira Tibúrcio, o Sr. Tiba, como é carinhosamente chamado, carrega uma bagagem que nem o mais perspicaz dos observadores seria capaz de imaginar. Quem vê o senhor de 59 anos que hoje vende salgados na UFRN, não imagina que ele tem uma historia de 35 anos com o mundo do teatro. 

Nascido em São Paulo capital, residente do bairro de Santo Amaro, Tiba não tem nenhuma graduação de nível superior, apenas o ensino médio completo. Entretanto, possui uma grande formação empírica na arte e no mundo do teatro.  Seu pai era iluminador, e desde cedo aprendeu com ele o oficio, como também outros que rodeavam a profissão de seu pai, som, cenário, na convivência, observava e acabava aprendendo um pouco de tudo.  Iniciou sua vida no teatro ainda muito cedo, aos 17 anos, enquanto ainda trabalhava dirigindo uma Kombi. Num encontro casual com um amigo que trabalhava fazendo iluminação no teatro, foi convidado pelo mesmo para ir assistir peça “Golpe sujo” não da plateia como os demais, mas sim da cabine em que o amigo trabalhava no controle dos efeitos do espetáculo. No dia do espetáculo, Tiba foi ao encontro do amigo. Ao chegar lá, foi direto para cabine junto com seu amigo, onde ficavam o diretor da peça, o seu amigo e um rapaz que trabalhava no controle da mesa de som. Aconteceu que o tal rapaz que devia controlar o som do espetáculo, havia bebido um pouco além da conta e não teve mais condições de administra-la. O amigo sugeriu para o diretor que o Tiba saberia mexer na mesa de som, e que com o roteiro em mãos ele conseguiria ajudar. Foi aí que o Tiba entrou em ação.  Ao ser solicitado como sonoplasta, fez uso da experiência adquirida com o pai e desempenhou muito bem a função. “Depois disso, não parei até vir pra Natal”, conta.

 Em 1974 foi descoberto um talento para a produção de palco que perduraria por mais de 30 anos.  Aos poucos ele foi se envolvendo com aquele mundo e desabrochou vários talentos para produção de palco. Tornou-se técnico em espetáculos e diversão, e passou a atuar como chefia de produção, produzir e montar cenários para diversas peças teatrais e espetáculos.  Tibúrcio produziu peças e cenários famosos como “O Fantasma da Opera”, “ Qualquer Gato vira-lata” na primeira formação da peça com Rita Guedes, Tuca Andrada e Filipe Folgosi, antes da criação do livro e de virar o filme. Ao perguntarmos sobre sua carreira nos palcos, nos revelou o carisma de personagens famosos como Suzana Vieira em que, com os olhos semicerrados e testa franzida ao tentar lembrar de outros detalhes, nos contou que ao pedir uma foto com a mesma, recusou o registro fotográfico como se fosse a um fã, mas o convidou a seu camarim e tratou-o como amigo; Arlete Salles, com quem viajou por um ano em turnê pelo Brasil com um de seus espetáculos; Maria Della Costa, em que inspirou-se em sua garra e motivação aos serviços de palco, mesmo limitada pelo tempo, com seus 82 anos de idade.

Certamente foram tempos de ouro. Contou-nos sobre um Brasil, agora, desconhecido. Lembrou de fatos como a passagem de sua Kombi cheia de artigos cênicos que passara sobre a ponte localizada em Florianópolis no estado de Santa Catarina, hoje um patrimônio histórico tombado com noventa anos de criação, a Ponte Hercílio Luz.   Em 1982 a ponte foi fechada para o tráfego, reaberta em 1988 para tráfegos leves como pedestres, bicicletas, mas em 1991 foi proibido todo e qualquer fluxo. Tiba conta com emoção o fato, a quem assiste suas descrições estruturais da ponte e a importância de conhecer o Brasil dourado, passa-nos a sensação de que vivemos juntamente com ele.

Entre o atendimento de um e outro cliente em sua mesa de lanches, Tiba sorri ao relembrar sua aparição como ator em peças nos quais também serviu de contrarregra e produtor de palco, diretor de cena, ou cenógrafo. Foi garçom na peça produzida por Juca de Oliveira e com direção de Bibi Ferreira, Qualquer Gato Vira Lata, que foi sucesso nacional e dada sua proporção acabou se tornando livro em 1998 e filmes em 2011 e 2015, marcou a história do homem que agora com uma luva plástica na mão direita, nos mostrava o valor do serviço longe dos palcos. “Eu não colava a bandeja na mão, então teve vezes em que a bandeja caiu de verdade e foi sujeira pra todo lado”, cita ao relembrar a importância de seu papel.


Seu Tibúrcio participou também de peças como "A cabra ou quem é Sylvia?" de Jô soares, “3 intenções”, "Trair e coçar é só começar" e conta com muito entusiasmo o nome de cada ator famoso que estrelou em cada uma delas. Outro trabalho muito envolvente foi a peça “A partilha”, escrita por Miguel Falabella em 1996 em que também trabalhou com a atriz global Arlete Salles, que se tornou amiga pessoal de Tiba. Enquanto falava desse trabalho, relembrou a vez em que uma universitária de teatro do DEART – UFRN, ao anunciar uma peça para o Sr. Tiba, não se interessou por sua história quando ele soltou a informação de que já havia trabalhado com teatro. Nesse momento, como estudantes de jornalismo, nos sentimos sortudas por estarmos sentadas naquele banco de pedra da parada do setor dois, ouvindo as mais alucinantes histórias e aventuras. Nossos dedos se moviam inquietos por escrever tudo o que tínhamos ouvido. Certamente aquelas estudantes perderam um momento muito construtivo para a carreira delas, e nós não pretendíamos fazer o mesmo.

Esequiel Tibúrcio, o Tiba, construiu sua história no teatro por trinta e cinco anos.  Casado há trinta e quatro anos com “Tuta”, cujo apelido deu origem ao negócio, Tuta Lanches, tiveram quatro filhos, um casal de gêmeos (1983) em que um é produtor de eventos e a outra é uma química, o do meio (1985) que decidiu seguir a carreira como agenciador cenográfico e o caçula (1987) que se formou em jornalismo e decidiu seguir profissionalmente na área burocrática e administrativa na fábrica Vitarella. Ele conta orgulhoso que dois de seus filhos homens, seguiram sua carreira na administração dos palcos. Quando seus filhos resolveram seguir a carreira do pai, como cenógrafos ou produtores, abriram uma empresa e colocaram seus nomes, mas não obtiveram muito sucesso, resolveram então mudar o nome da empresa e sua o nome do pai, e então surgiu a “Tibúrcio produções”. Foi ai então que conseguiram notabilidade. “meu nome é conhecido nos teatros de são Paulo, meus filhos viram que com o nome deles não estava dando certo e usaram o meu, e então foram procurados e não param de trabalhar” conta ele com um sorriso de satisfação estampado no canto da boca. A ultima peça de que fez parte como produção e palco e cenógrafo, foi “ A partilha” o ultimo espetáculo foi na capital do Rio grande do Norte, lugar de origem que adotou para uma vida mais tranquila.

A rotina dos palcos começou a pesar na vida do senhor Tiba, as longas viagens para realizar espetáculos e os longos anos se dedicando a essa arte aos poucos foram caindo na monotonia e após uma reflexão ele resolveu que estava na hora de dar espaço para outras pessoas e buscar um outro rumo em sua vida, assim decidiu juntamente com sua esposa que iriam morar em Natal, ao longo de 14 anos entre idas e vindas à capital do Rio Grande do Norte, após uma batalha incansável conseguiu construir sua moradia e fixar residência, mais um sonho concretizado em sua vida. Seu Tiba comenta com convicção que amava o teatro, mas não se imaginava trabalhando em algo tão cansativo até o último dia da sua vida. Depois de viajar o país inteiro e ter em sua mente os mais marcantes momentos que alguém poderia ter, ele confessa que o que queria mesmo era poder descansar e poder caminhar pela praia no final de semana, coisa que nem São Paulo, nem a vida conturbada no teatro poderiam proporcionar. Seu Tibúrcio acreditava que teria uma vida mais tranquila na terra Natal da sua esposa, com quem está casado há mais de 30 anos.

Há pouco mais de três anos morando em Parnamirim, cidade localizada na região metropolitana de Natal, ele e sua esposa resolveram abrir uma lanchonete, mas que não conseguiram manter, pois a venda era pouca. Ao convite de um filho de uma amiga de sua esposa, Seu Tibúrcio resolveu ir vender na UFRN, e a venda que antes era pouca, até hoje é sucesso total. Quem passa por ali e vê o salgado preparado pela mulher de Tibúrcio não resiste e compra. O movimento é tanto que surpreende o senhor, dono de uma simpatia tão grande, que não para de conversar com a gente enquanto atende várias pessoas ao mesmo tempo. “Achei que sairia do teatro para descansar, mas o movimento continua como vocês podem ver”, comenta o senhor com um largo sorriso no rosto.

Agora em uma parada de ônibus, longe dos palcos e das emoções que levava consigo na Kombi que andou o país inteiro, Tibúrcio monta mais uma cena na história da sua vida. Não uma cena de uma novela ou de uma peça teatral, mas a de montar sua venda na parada de ônibus de uma universidade. Uma cena muito diferente das inúmeras que já montou em toda sua vida, mas tão importante quanto qualquer uma delas.

Biografia realizada para a disciplina de oficina de texto III do curso de Jornalismo.
Produzida por Paulina Oliveira, Fernanda Cristina, Gemyma Medeiros, Nayanne Rodrigues e Ana Laura.
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
1 comentários. Clique aqui para comentar também!
Foto: Lucas Figueiredo - CBF / Fotos públicas (03/10/2016)

Portões fechados. Fila de espera.  RG em mãos. Ingresso suado, porém no bolso. O pensamento estava a mil. Devia ter chegado mais cedo? será que estou na fila certa? Vou conseguir ver algum dos jogadores de perto? A apreensão tomava conta de mim.

Um amontoado de camisas amarelas. Três ou quatro rostos conhecidos. Pessoas que carregavam  uma ansiedade tremenda nos olhos ao decorrer dos passos. Filas que se encontravam e se entrelaçavam, que mais pareciam de um show do artista teen do momento. Muitos corações repletos de expectativas, para poucas informações.

Os portões se abrem. O que antes era fila, se torna um amontoado de pessoas sem saber para onde vão, mas que não veem a hora de chegar. Ao passar pelo portão, já não sinto meu caminhar, mas que estou sendo carregada juntamente com aquela multidão, por uma massa com objetivos bem parecidos com os meus: ver de perto o craque do time, trocar uma palavra com algum deles, quiçá, uma selfie com Tiago Silva, ídolo tricolor.

As filas que eram mistas, agora estavam divididas entre homens e mulheres. Casais se separavam um do outro e combinavam de se encontrar lá dentro. Mães jogavam às pressas os pacotes de biscoito e salgadinhos que traziam para suas crianças, já que não se podia entrar com esse tipo de coisa. Dentro dos grandes baldes azuis ficava tudo aquilo que não poderia ser levado para a arquibancada, mas fora deles o nervosismo estava à mil.

Ao passar pelas catracas era impossível não recordar da seleção do penta, de Pelé, de Romário, de Ronaldo, a seleção canarinho que dava medo onde passava. Ao entrar me deparei com uma torcida carente de ídolos, que gritava a cada chute a gol por mais distante que a bola passasse. Um torcida admirada ao entrar e ver jogadores a muitos metros de distância. Eu, míope que sou, só conseguia ver rostos turvos e diferenciava um jogador do outro pelo corte de cabelo. O público ainda chegava, mas o treino já acontecia, parecia que já esta acabando. Neymar, o craque da seleção, estava deitado na grama, parecia apático à seleção e aos mais de 10.000 torcedores ali presentes.

Poderia me animar e dizer que vi Neymar, Muralha, Taffarel, Tite, a não ser que acreditem em meros traços de cores e formatos que não conseguiam se formar pela distância que separava meus olhos do gramado. A parte mais animada do treino, e única, eu diria, foi quando a torcida começou a fazer uma "Ola" que os jogadores não se deram ao luxo de olhar. Poucos minutos depois, jogaram alguns pertences ao público que se alegrava com aquilo que mais parecia um prêmio de consolação. Esses mesmos jogadores saíram do gramado pouco depois de cumprimentarem a torcida, localizados muito antes do meio de campo.

As mais de 10.000 pessoas ali presentes se entreolharam como se tivessem a sensação de que tivesse mais. No meio da torcida gritaram:"É uma pegadinha?". O público continuava aflito, esperando um espetáculo que não aconteceu. A passagem dos torcedores no treino do último dia 03 de outubro, foi menor do que a de Fernando Prass na seleção olímpica. A sensação que deu, foi de que o tempo dentro da arena não foi o suficiente comparado ao tempo de espera tanto na fila para a retirada do ingresso, quanto para a fila do treinamento.

Como se já não bastasse, as luzes foram sendo apagadas uma a uma, com o claro intuito de que a torcida fosse se retirando. As pessoas foram saindo e as luzes se apagando, somente a sensação de tempo perdido prevaleceu. 34 anos após o último confronto da seleção brasileira em campos potiguares, o mínimo que deveria se esperar seria um pouco de afeto. O mais interessante disso tudo e o sentimento que ficou, foi a de que o time comandado por Telê Santana três décadas atrás, parecia mais próximo que o de Tite que saiu ainda há pouco do gramado. 
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
Sem comentários. Clique aqui para comentar também!


Vinte e três de maio de dois mil e doze. Era mais uma noite de futebol. Mais um jogo pela libertadores da América. Mais uma vez em busca do sonho do título que falta para o tricolor das laranjeiras. Na noite de quarta feira tudo estava em seu devido lugar, menos minha emoção. O jogo da Libertadores estava prestes a começar, mas o medo e o nervosismo eram tão grandes que recusei-me a assistir ao primeiro tempo, mas no começo do segundo, acabei cedendo. O temido “jogo de volta” estava acontecendo, e eu com os olhos fixos na tela, as mãos segurando uma a outra, e meu coração pulsando compulsivamente. 

Assim que observei o placar, ocorreu um movimento involuntário de minhas mãos à cabeça quando lembrei que, com o resultado do jogo anterior e o do atual, os dois times iriam para os pênaltis. O Boca Juniors tinha vencido o primeiro jogo na Bombonera por 1x0, e em caso de empate, o time argentino levaria a melhor. O fluminense estava desfalcado, mas mesmo assim não se deixou abater quando Thiago Carleto abriu o placar no Engenhão para o tricolor carioca. O sonho parecia próximo de virar realidade, mas ainda assim não foi o suficiente.

No começo não estava conformada com o placar, queria gols, queria ver a torcida vibrando, queria que o nervosismo se esvaísse, queria poder sonhar além dessas quartas de final, além dos quase anteriores tanto na sul-americana como na libertadores nos quatro anos anteriores. Todavia, ao avistar que faltavam somente seis minutos para o jogo terminar, o que mais queria era que tudo ficasse em seu devido lugar. A tensão tomava conta de mim.



Foram os seis minutos mais longos da minha vida, e aquilo que mais temia aos 45 minutos do segundo tempo ocorreu, para minha infelicidade e de toda uma nação: um gol o meu time levou! E pensar que o Fluminense deixou passar esse mesmo time na fase anterior por uma falha nossa... que poderia ser inútil naquele momento, agora virou um pesadelo, um grande tormento. O narrador gritou: “GOOL!”. Tudo que estava a minha volta desabou. Lágrimas escorreram em minha face, e aos últimos instantes do jogo recusei-me a assistir. 

Podia parecer besteira, naquele dia em que classificamos o Boca Juniors, mas agora aquela falha desclassificou o meu time da Libertadores 2012. Aquele título inédito e esperado por todos os torcedores acabou com o apito final. Nossa meta estava tão perto... agora tão longe. Um erro, uma desclassificação, muitas decepções. O gol de Santiago Silva no final do segundo tempo eliminou o fluminense e adormeceu - mais uma vez - o sonho de erguer a taça mais importante para os clubes da América. Todos têm uma desculpa: "foi sorte", "culpa de Cavalieri", "O boca é time de tradição", "O Flu estava desfalcado", mas para mim, nada mais fazia sentido. 

Abracei meu pai e disse: “Queria muito esse título, mas nem tudo é como queremos.” Um erro não justifica o outro, mas um abraço alivia o coração e ameniza o choro. Desabei em lágrimas novamente assim que cheguei ao meu quarto. Mas o que alivia é que outras oportunidades virão, mesmo que agora seja um dia triste, amanhã será um dia feliz, e, claro, sem desclassificações, por favor!



Ps: Essa foi uma crônica escrita por mim e publicada originalmente no jornal "Pois Diga!" do IFRN campus Ipanguaçu no ano de 2012 e reformulada no ano de 2016.
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
Sem comentários. Clique aqui para comentar também!


Esqueça a nostalgia. Esqueça a profunda tristeza pela falta de algo. O tempo que você brincava de barquinho com suas amigas e achava que o tempo não ia passar nunca. De quando seu professor favorito de biologia te mandava decorar todas as organelas e você achava um saco, logo depois descobre que ele vai pra outra cidade e que novos professores virão, mesmo ele sendo chato algumas vezes, você sabe que nunca vai esquecer das aulas hilárias.

Esqueça a nostagia de quando sua mãe falava que a gente só devia gostar de quem gosta da gente, quando sua irmã mais velha não queria te levar pra sair com ela e tu acaba descobrindo que essa frase da sua mãe vai ser universalizada pelo resto da sua vida. Dos dias que ficava na calçada jogando conversa fora com seus melhores amigos da escola e  de como nada daquilo vai se repetir exatamente como antes. De quando conheceu a melhor turma da sua vida e como quatro anos passam num piscar de olhos. Da noite que percebeu que no meio daquela multidão só queria ficar ao lado de uma pessoa e ficou, e vê agora que a questão não é só querer, tem muito mais além disso. De quando viu o mar pela primeira vez e acreditou que talvez a vida fosse tão incrível e tão imensa como aquela imensidão de azul.

Meu Deus! como dói lembrar disso tudo. Como dói saber que nenhum desses momentos irão acontecer do mesmo modo. Acho que a vida é bem isso, lembrar desses momentos e aceitar que mesmo que não voltem, ela ta aí pra que aproveitemos intensamente cada momento como esse. Esqueça o regresso. É preciso viver coisas novas. É necessário seguir adiante. É preciso dar a chance para novos momentos, mas sem esquecer daqueles que um dia marcaram uma vida para sempre.
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
Sem comentários. Clique aqui para comentar também!


respiração, olhos cerrados, corações uníssonos, proteção
com você sinto minh'alma encoberta de coisas boas
envolta de mim há meu mundo
um mundo chamado você
um mundo firme que aperta, contudo não sufoca
que traz paz
que é minha paz
que traz conforto
e carrega todos os melhores sentimentos contigo
que é minha morada
mesmo sem saber
que acalma meu coração
que me faz se sentir nas nuvens sem estar no céu
é um conceito diferente do céu
ah se o céu for tão bom quanto estar em torno dos seus braços todos merecem ter o prazer de sentir como é esplendoroso
são apertos saudáveis
são laços que mais deveriam ser nós
é uma calmaria
é amor
são seus braços
é seu corpo e o meu
é você, só você e seus braços, e meu corpo, e nossos corações que se juntam e tornam-se uno
é meu lar

Laços que deveriam ser nós - Paulina Oliveira
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
Sem comentários. Clique aqui para comentar também!

Na teoria somos diferentes dos demais seres vivos. Por sermos racionais somos seres diferenciados, ou ao menos, deveríamos ser. Racionais, como nos auto denominamos, não deveriam matar os demais por qualquer coisa, nem roubar por ser mais fácil do que suar pra conseguir seus méritos, nem apunhalar aqueles que chamamos de "amigos" por interesses banais, famílias deveriam defender umas as outras e não tentarem se sobreporem aos demais. Será que a racionalização está sendo esquecida em um mundo de pessoas sórdidas?

É guerra na síria, ataques em Paris, cidades encharcadas, negros mortos pela pm, chacinas nos mais diversos estados do país, são refugiados buscando abrigo. São sonhos sendo destruídos, ou guardados em uma mala lá em cima do armário em que ninguém consegue alcançar sem ajuda. É um mundo que passa por um momento crítico. Fechamos nossa janela de vidro e esquecemos do que está acontecendo ao nosso redor. Nos guardamos na nossa ilha e esquecemos que pela janela transparente não há como deixar de ver toda a catástrofe lá fora. Podemos até tentar encobrir com uma cortina, mas é o mundo no qual vivemos que clama por socorro. E mesmo que não fosse, o que custa prestar um pouco de solidariedade? São pessoas como nós, gente como a gente que veem toda uma vida passar diante dos seus olhos sem saberem o por quê. Falta amor, falta paz, falta amparo, falta igualdade.

Num mundo de gente vazia, em que a hipocrisia é palavra chave, não é todo dia que encontramos pessoas que se compadeçam da nossa situação, é difícil acharmos aqueles que ofereçam um abraço amigo, uma palavra de conforto, uma oração. É muito mais fácil criticar quem julgarmos certos ou errados. Difícil mesmo é acolher aqueles que precisam de uma dose de compaixão. O número de perdas é tão grande que vidas como a nossa passam a ser números, coisas; não sonhos, não realizações, tampouco sentimentos e sensações. Esquecemos a compaixão. Esquecemos a dor do outro. Abrimos mão do olhar interior e adotamos uma visão superficial. Não que algumas dores sejam maiores que outras, mas alguns caso nos tocam mais. Talvez o tiro que um amigo meu tenha levado por um pm, seja para mim mais doloroso do que ver uma família perdendo tudo que tinha com o alagamento da sua cidade. Contudo, isso não significa que a dor que eles sintam seja menor. 

A questão não é dizer que uma dor é justificável e a outra não. O que está em jogo é não se fechar no seu mundo e acreditar que o mundo é uma ilha. Precisamos ajudar uns aos outros, procurar ajudar ou buscar ajuda. É denunciar o que está acontecendo de errado, acolher uma família que precisa de amparo, é se apegar ao que crer e torcer por dias melhores. É a comunhão de atitudes e sentimentos, de modo que essas resistam às forças exteriores. É se identificar com a dor do outro. Não há muito o que fazer para contornar um problema que já ocorreu. Entretanto, é necessário utilizar, ao menos uma vez na vida, daquilo que todo ser humano deveria ser munido: humanização.
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
1 comentários. Clique aqui para comentar também!

Sonhar. Toda criança é repleta de sonhos. Eu diria que cada uma delas é constituída de corpo, alma e muitos sonhos, os mais variados sonhos. Todavia, ao crescermos, nós deixamos de acreditar na gente e nos nossos desejos mais profundos, procurando manter os pés firmes no chão assim como as esperanças que brotaram algum dia. Apesar das adversidades, é preciso não perder aquele espírito sonhador que outrora reinava em nosso meio.

Recordo-me de uma manhã nublada em que minha irmã mais velha foi fazer o vestibular na capital do estado. Todos estavam muito esperançosos, era o sonho da vida dela em jogo e uma viagem de quase 300 km só de ida. Naquele tempo eu tinha uns sete anos de idade, curiosa, ousava em perguntar aos meus pais o que minha irmã tinha ido fazer tão longe, e eles animados respondiam: 
_ Foi em busca da realização de um sonho: a tão sonhada vaga em uma instituição pública no curso em que mais se identificava. 

Essa foi a primeira de três vezes em que minha irmã voltava para casa à noite após mais um vestibular. Triste, ela dizia que não tinha sido dessa vez e tudo voltava aos seus devidos lugares. Sei que quando somos crianças não conseguimos aceitar de cara um desejo não concedido, e triste por ver meus pais cabisbaixos e ela sem ter conseguido o êxito da aprovação, soltei involuntariamente um desejo que se fortaleceu a partir desse dia: "quando for minha vez conseguirei o primeiro lugar". Ninguém deu muita bola, afinal, eu era só mais uma criança com o seu turbilhão de sonhos.

Hoje, dez anos após o acontecido, consegui o que almejei desde aquela noite sem estrela alguma. Consegui no meu primeiro vestibular o mérito do primeiro lugar. Assim que recebi a notícia ao invés de pensar em mim e nas minhas realizações pessoais pensei nos meus pais e na minha irmã que hoje não faz o que tanto sonhou um dia.

Alguns anos após não ter conseguido sua vaga, ela começou a trabalhar e pagava seus estudos  com o que ganhava. Não fazia o que sempre amou, mas o que aos poucos aprendeu a amar. Com um emprego fixo, diploma e pós graduação, minha irmã sente-se realizada com  o que faz, mesmo que ainda lembre com um certo desejo da profissão que sonhou exercer um dia.

É, talvez a vida seja isso. Os sonhos, mesmo que com muito esforço e dedicação podem não ser realizados, porém os que um dia sonharam sabem que adaptar um sonho faz parte do pacote. Mesmo com alguns ajustes, o sonho por si só não perde sua essência, seu desejo de se realizar. Quando criança ou adulto, os sonhos estão aí para serem realizados a qualquer momento. Quando não, é preciso aceitar o sonho que a vida sonhou pra gente e fazer dele tão importante quanto o que chegamos a sonhar um dia numa manhã nublada qualquer.
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
1 comentários. Clique aqui para comentar também!

Eram 19:57 da noite numa noite que deveria ser igual a todas as outras, mas acontece o inesperado, a partida de alguém especial desta vida. E que vida! essa que traz um vai vem de gente todos os dias, mas que leva as pessoas que amamos de uma vez para sempre. Já pensou o quão devastador deve ser os últimos segundos de vida de alguém, o último olhar, as últimas lembranças, será que existe algum fio de esperança ou só a aceitação de que o fim está realmente próximo? De qualquer modo, torço para que no fim da jornada de cada um, as coisas se arrumem de um jeito que tudo que passamos nessa vida tenha um real significado. 

 A dor é inevitável. A aceitação de que um dia essa pessoa não voltará mais, é ainda mais doloroso. Todavia, é inviável carregar essa dor pra sempre nas costas.  É claro que dói. Não dá para definir se foi o modo como a pessoa se foi, a saudade que vai ficar, o sofrimento que as pessoas mais próximas vão passar ou o que deixou de ser dito a esse alguém(ou pior, o que foi dito e não deveria ter sido) que torna toda a situação ainda mais angustiante. É indispensável seguir em frente, com passos curtos, porém firmes. Crer que é possível ver algo bom no meio dessa perda é preciso.

Costumo pensar nas pessoas que partem como flores. Um dia essas flores trouxeram bons momentos para a vida de alguém, por mais que elas murchem, as lembranças serão sempre as dos momentos bons que elas proporcionaram e da beleza que cada uma carregou, independentemente do tempo em que se fizeram presente. Minha mãe costuma dizer que a única certeza que temos dessa vida é a de que um dia todos se vão, arrisco em acrescentar que existe ainda uma outra certeza: a da trágica dor de uma perda.
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
3 comentários. Clique aqui para comentar também!

O que será que existe por trás dessa vidraça? Quais são os medos e sonhos que se escondem por esse emaranhado de casas e pessoas? Quantos sonhos foram deixados pra trás nesses últimos dias? em que milésimo de segundo deixaram de acreditar que a realização deste pode se encontrar na próxima esquina? O que aflige cada pessoa que passa nesse instante? será que é o medo de não tentar ou o medo de ter uma tentativa fracassada dentre tantas? Três jovens passam agora por baixo dessa sacada. Nesse segundo o mais alto sorri para os demais e fica pensativo logo em seguida. Será que algum sonho abandonado voltou à tona? ou terá sido um medo retraído? Por trás dessa vidraça há um mundo. Um mundo de sonhos em que o medo nem ninguém deve impedir que esses venham a se tornar reais.

Paulina Oliveira
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
2 comentários. Clique aqui para comentar também!

Sinceramente, eu não sei o que está acontecendo comigo esses dias. Ultimamente tudo está tão chato, tão parado, tão monótono, tão estranho. Parece que todo mundo fica rindo da piada e só eu não entendi. Parece música boa que todo mundo ouve, só eu não consigo escutar. Parece pôr do sol em sábado de carnaval, onde eu perdi a hora e cheguei quando já era noite. 

Estou tentando há dias procurar o que danado está me tirando o sono, que tira meus sorrisos, que me faz ficar assim. Vejo todo mundo seguindo em frente, juntando as roupas, jogando na mala e pegando o próximo voo. E eu, em pleno sábado de manhã, jogando baralho só, esquentando a comida da noite passada e ouvindo a rádio que está na sintonia errada, talvez eu quem seja errada. Talvez tenha alguma corda, cordão, fio, segurando minha perna, me impedindo de sair por aí a fora, de viver, de sonhar. Todos estão achando o rumo da vida, curtindo adoidado, beijando poste, pulando muros, dançando sem saber com quem, nadando sem saber nadar, levando cerveja do comércio do seu Zé sem pagar. Só eu que não acho graça nisso? Só eu acho que a vida não é isso? 

Existe algum problema em seguir caminho diferente dos demais? Em correr pelo caminho da música calminha (ou pesada com letra) ao invés de ir pulando no próximo bloco de carnaval por causa do filho do amigo da vizinha daquele cara que minha ex-colega acha bonito? Fala sério! A vida é bem mais que correr descalço em caco de vidro, de sair pegando 5 em uma festa, de distribuir amor sem se amar, de dançar sem ouvir música, de contar história que veio da boca de terceiros, de contar piada sem entender nada. Cansei de ficar no meio de rodinhas só pra, talvez, ser um dia aceita em algum grupinho que só quer que você se exploda pra sair contando para o mundo todo. 

Cansei de ser parasita, de ser ovelha em um rebanho, de ouvir opiniões alheias e me abalar. Eu sou muito mais que isso. Não fui escolhida no meio de tantos só pra ser mais algum que faz tudo igual a todo mundo. E se isso não é o certo? Se eu perder a vida? Nada disso. Ganharei muito mais sendo eu mesma, me amando, me querendo bem, sorrindo para vento sem medo do que as pessoas superficiais irão pensar. Sabe o que eu quero? Ser eu mesma, de dentro pra fora, sem medo, sem restrições, sem pensamentos implantados por outros. Quero ir além do que a vida prevê pra mim, ou pra qualquer outra pessoa que se julga ela mesma, sendo mais mundo todo que um pouco de si.
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
7 comentários. Clique aqui para comentar também!

"A única coisa que ajuda a superar um menino é um homem", já dizia Tati Bernardi. Eu nunca acreditei nessas palavras furadas, falava que era coisa de gente que tem fins mal sucedidos de relacionamentos, mas me enganei e feio, porque encarei na cara dura a realidade. Uma cara dura e que tinha um belo par de olhos verdes, cabelo meio encaracolado e nome de poeta, até parece que Deus estava preparando um anjo, um pedaço de cada desejo meu e implantou em uma só pessoa. A gente acha que é azarado porque a vida bateu na nossa cara uma, duas, três vezes e a gente morre de medo da quarta porrada, daquele soco no meio da cara que faz a gente desmaiar de vez, mas eu juro que estava disposta a desmaiar no braço do meu Mário, daquele que me resgataria no mais alto dos castelos e não viria de cavalo branco e sim de Yoshi, lá dos seus 100 km até onde eu estava só pra me ver sorrir. O demorado não importava, os sofrimentos anteriores muito menos, se eu tivesse aquele sorriso todo dia e aquela pessoa incrível nos meus braços, eu juro que passaria por tudo novamente. A vida é uma verdadeira caixa mágica, quando pensamos que não teremos mais surpresas ela vem com seu "gran finale" e nos deixa boquiabertos. E meu mundo preto e branco virou colorido quando você chegou, e todos os momentos, desde aquele do verão passado na praia, das nossas conversas profundas e filosóficas, cada vez que eu fecho os olhos penso em você, e me dou conta de que você foi uma das melhores coisas que me aconteceu. Te esperei por tanto tempo, já estava desacreditada, mas você me apareceu quando menos esperava. Se isso for um sonho, acredite, acordarei e morrerei feliz só por saber que alguém como você existe.

O cara com nome de poeta e belos olhos verdes - Paulina Oliveira
Texto inspirado na história de amor de uma amiga
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
4 comentários. Clique aqui para comentar também!

Todo mundo já passou pela fase de ser criança e querer ser grande o mais depressa possível, certo? Isso geralmente acontece pelo fato de querermos tomar nossas próprias decisões, sair pra onde quiser e quando quiser, além de outros fatores que certamente veio na sua mente assim que leu isso. Mas no momento que crescemos, percebemos que as coisas não são assim tão fáceis, pois com o avanço da idade a responsabilidade vem junto, e tomar determinadas decisões por mais difíceis que pareçam, devem ser tomadas o quanto antes.

Levando para o âmbito profissional, depois que terminamos o ensino médio devemos nos preparar para fazer o tão temido e adorado Enem(Exame Nacional do Ensino Médio), onde devemos nos preparar para fazermos provas onde testamos nosso conhecimento acumulado durante todo o período escolar, além de tomar uma decisão muito importante: a de escolher o que fazer da vida.

Para alguns, comprar roupas para si próprio é uma tarefa difícil, comprar presente para amigos ainda mais, agora imagine uma decisão que pode interferir diretamente no futuro da sua vida. Achou complicado? mais complicado ainda é ter que escolher algo que você goste, que dê pra se manter, conciliar na maioria das vezes estudo com trabalho e vice versa.

Sem querer botar medo ou pressão, esse texto serviu de um alerta pra gente acordar e ver que crescer tem lá suas desvantagens. A gente tem que se decidir, estudar, aprender o mais complicado, abrir mão de determinadas coisas, se organizar, estudar, estudar e estudar um pouco mais. O futuro tá bem na nossa frente. Como diria Caio F Abreu: Vamos acordar, tem gente furando fila e roubando o nosso lugar. Só pra finalizar, pra quem acha que tá difícil, esse é só o começo de uma vida.
Share
Tweet
Pin
Compartilhe
6 comentários. Clique aqui para comentar também!
Postagens mais antigas Página inicial
Jornalista. Blogueira desde 2011. Metade de mim é amor, a outra metade é fluminense, séries e los hermanos. Se você gosta disso, de indicações de filmes, livros e muito mais, esse é o lugar certo.

Pesquisar este blog

Tags

decoração esportes filmes livro mundo geek musica serie texto

Seguidores

Facebook

Favoritos

  • Lápis de Noiva
  • Like Paradise
  • Na Nossa Vida

Base ThemeXpose | Designer Alexia Evellyn | Personalizado com por B3nice