Não se avexe!
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Talvez o amor seja isso mesmo: doses de felicidade, euforia e também de saudade.
É encontrar no outro um lar, mas também não ter receio de voar quando precisar.
Também é saber que tudo que emana deve ser verdadeiro, mas sempre conter muito respeito pelo que o outro é, foi e que um dia será.

O amor não precisa ser pra sempre pra ser amor
tampouco precisa de uma tragédia para chegar ao fim
Não precisa de um manual de instruções de como se comportar com a pessoa amada, mas deve ter uma série de atitudes que não se deve tomar.

Ele está nas pequenas coisas, nas manias do outro, nos lugares que já passaram e os planos que ainda sonham.
Talvez as coisas mudem, o tempo passe, as pessoas se distanciem e continue sendo amor, mesmo que esteja guardado como uma caixinha de música no fundo da gaveta. 
Ele continua ali, mesmo que sua essência não seja vivida como era diariamente.

Amor também é deixar ir.
Amor também é desistir.
Também é deixar o outro crescer e procurar sua felicidade, porque ela não deve ser resumida a uma pessoa só.
Não é prender, não é moldar, não é deixar em cima do altar. Isso pode ser outra coisa, só não é amor.
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O êxito sempre foi algo instituído para que seguíssemos adiante com a sensação de plenitude. Passar no curso dos sonhos, encontrar a pessoa certa para compartilhar a vida ou conseguir aquela promoção no emprego são só alguns exemplos de como existe uma espécie de caminho pré-definido para a definição da felicidade. É como se quem fugisse do roteiro ou não alcançasse os objetivos designados pela sociedade não fosse digno de ser um vencedor. Essa ideia de felicidade roteirizada pode até fazer um pouco de sentido, mas nem tanto.
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Em uma certa idade da vida a gente idealiza tudo: maioridade, emprego dos sonhos, país para morar e até a pessoa perfeita. Com o passar do tempo e as experiências (na maioria das vezes) frustradas da vida, a gente vai se dando conta que a vida não é um mar de rosas e que as coisas estão longe de ser tudo aquilo que queremos. Se você ainda tem uma idealização exacerbada do que é viver eu tenho um conselho pra te dar. Assim como a teoria do geocentrismo foi derrubada há muito tempo, a teoria do umbiguismo também está aí para cair: a vida não gira entorno do seu umbigo.
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Um dia vou embora e só ficarão as lembranças de quem fui, do que disse, do que vivi. 
Dos sonhos, dos laços de amizade, de tudo que ainda tinha para conhecer.
Dos livros que nunca li, dos beijos que não dei, dos lugares que jamais pisarei. 
Os que ficaram, irão relembrar os momentos de felicidade, de como a vida é breve, de como precisamos viver como nunca. 
Vão achar meus cadernos antigos, as postagens de 2 meses atrás nas redes sociais, descobrirão coisas que apenas um nicho de conhecidos sabiam, histórias únicas, relembradas com imenso pesar. 
Rolarão as fotos da minha galeria do telefone e encontrarão momentos tão felizes que ninguém sequer imagina que um dia todos iremos partir. 
São sorrisos nas saídas com os amigos, nos momentos descontraídos com a família, nas fotos repletas de sentimentalismo com o amado. 
As lágrimas correrão pelo rosto ao lembrarem de quem um dia foi amiga da época da escola, conhecida de vista do trabalho, das amizades em comum ou apenas uma garota que morava na mesma cidade. 
Lembrarão que a vida pode ser boa, na maior parte das vezes dura, mas que ela um dia se esvai. 
A vida passa. 
Ficam os sorrisos, 
as palavras, 
ficam o sentimentos 
e as lembranças.
Ah, as lembranças! 
Enquanto existir vida as lembranças serão as únicas que nunca morrerão.
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Era mais um dia em que voltava cansada da rotina dupla de estágio, aulas até dez da noite e com trabalhos para fazer, quando desabafei: "não aguento mais essa rotina, quero que termine logo." De ímpeto, minha mãe que estava comigo nesse dia respondeu: "isso é só uma fase, filha. Logo vai passar". Tenho certeza de que se a gente acreditasse mais em frase de mãe muitos estragos e decepções mundo a fora seriam evitados. Porque, mais uma vez (pra variar), ela estava certa.

É assim e sempre foi assim. Os conselhos de mãe são certeiros. Falou é tiro e queda pra acontecer. Foi assim quando estava no ensino médio, na correria de me dividir entre dois turnos de aula, cursinho, trabalho de conclusão do técnico e mais um monte de coisa. Na época mamãe falou que ia passar tão rápido que eu nem ia me dar conta. E foi exatamente o que aconteceu. Hoje, quase quatro anos depois, sinto uma saudade absurda de tudo que vivi na época.

A rotina não é mais a mesma. Não levanto mais às 6h para ir para outra cidade encontrar os velhos amigos de turma, ficar no intervalo rindo da nossa própria desgraça ou fofocando das aulas anteriores. Não vai ter mais depois do almoço o momento em que todos ficávamos sentados no centro de convivência torcendo para que todo mundo fosse aprovado numa universidade e a correria acabasse (nem sabiamos que estava apenas começando). Dói mais ainda quando lembro da noite, que ficávamos até às 22h vendo aula de química, física, biologia e quando sobrava tempo íamos comer cachorro quente e tocar violão.

As coisas nunca mais serão as mesmas. Você pode tentar voltar para os mesmos lugares que um dia viveu momentos incríveis, mas nem todas as pessoas que fizeram parte daquilo contigo estarão lá, e se estiverem, não serão mais as mesmas pessoas de anos atrás. Você pode tentar reviver momentos, situações, mas nada jamais será do jeito que um dia já foi. E tudo fica ainda mais difícil quando se vira adulto. As responsabilidades triplicam, os amigos seguem rumos diferentes e é cada um por si.

Um dia tudo que se vive hoje será apenas saudade. Da mesma maneira que sua rotina anterior também já se tornou uma linda lembrança. As vezes (tipo agora) me sinto nostálgica com esse tipo de situação. Quando as recordações de tempos anteriores vem à tona é impossível não querer correr pro passado. Mas existe uma parte super positiva nisso tudo: a de valorizar e viver intensamente tudo que temos no agora. Viver como se não houvesse amanhã, aproveitar todos os momentos, se permitir ser feliz sem adiar momentos, sem guardar sentimentos. 

Por isso, se permita viver intensamente tudo que tem agora, pois o amanhã nem sabemos se virá. E a rotina? ah, ela vai existir. Mas também um dia virará saudade.
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Por volta dos 15/16 anos a gente quer mesmo é viver. Sem muitos planos ou sonhos, a vida é ali e agora. E pronto. Resolvido. Mas eu sempre fui uma menina muito sonhadora. Daquelas que passa horas imaginando se seria mais interessante morar num lugar frio, mas cheio de roteiros pra percorrer, ou num lugar quente, mas pertinho da família. Aos poucos as escolhas veem à tona e precisamos nos decidir. Porque até mesmo não tomar atitude nenhuma é uma forma de decisão. E logo eu, a mais indecisa do mundo, com ascendente em gêmeos, preciso escolher por mim. Já cantava los hermanos "Ora, se não sou eu, quem mais vai decidir o que é bom pra mim?"

Por ser muito sonhadora, eu já tinha uma espécie de futuro planejado: jornalismo, federal do meu Estado, formatura antes dos 22, independência financeira, pessoal e amorosa. Perfeito, né? A vida me mostrou que não é bem assim. O lugar em que estou hoje é praticamente o que sonhei há cinco anos. Talvez bem mais do que sonhei. Mas a conclusão que chego até aqui é de que o que realmente tem sido importante de lá até aqui não foi o que conquistei ou a rotina que levo hoje, mas o caminho pra chegar no agora. As pessoas que conheci, novos sonhos que estipulei, as quedas, as vezes que levantei, as perdas e os ganhos. Tudo isso tem sido muito importante até então.

Mesmo estando exatamente onde queria estar, ainda sinto a ausência de muitas coisas. A independência financeira é muito boa, mas diante da rotina corrida, fica quase impossível viajar e aproveitar o dinheirinho extra no fim do mês. Estar quase se formando é um pouco amedrontador pela incerteza do futuro diante do momento político que o país passa hoje. Poder sair para onde quiser, na hora que preferir, não têm tanta graça depois de um dia cansativo em que você só quer deitar na cama e ver netflix. Depois de tudo isso ficou claro que eu não sei o que esperar dos cinco anos que vem pela frente e que nós nunca estaremos 100% satisfeitos com algo, mesmo que a gente tenha sonhado muito com aquilo. E sabe? acho isso demais! Porque são os nossos sonhos que nos movem, e se novas metas não surgissem, ficaríamos estagnados no mesmo lugar durante uns 30 anos.

Precisei de cerca de cinco anos para me dar conta de que tudo que fazemos hoje é refletido no amanhã e de que a vida é isso, é o agora, e que precisamos aproveitá-lo do jeitinho que ele é. Cheio de incertezas, de planos que ficaram pelo caminho, de pessoas que passaram e outras que chegaram. E que bom que a vida pode ser bem mais do que um ritual do que fazer a cada dia, a cada ano, a cada hora. É muito chato viver com um manual de instruções nas costas definindo que devemos nos formar aos 22, casar aos 25, construir uma família antes dos 30 e falar pelo menos 3 idiomas aos 18 anos para sermos pessoas bacanas. A reflexão que levo de tudo isso é que é muito bom ter planos, mas olhar pra trás e perceber que o caminho que trilhamos foi essencial para sermos o que somos hoje e necessário para o nosso amanhã.

A vida não tem um manual de instruções.
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Um pé na frente, o outro atrás. Com sua bicicleta seu Nilson percorre quase toda a cidade. Pela manhã ele vai da Avenida Salgado Filho até a Avenida Bernardo Vieira. Carrega na sua garupa uma dúzia de pastéis, coxinhas, sucos e um turbilhão de histórias. Estaciona sua bicicleta azul piscina na calçada ao lado do sinal, não só para vender os salgados que prepara com muito amor e dedicação, mas para distribuir um sorriso amigável para todos que atravessam as rodovias que transita diariamente. 

Sorri para a mulher de saia longa, acena para a menina que está com um crucifixo no pescoço e repete os gestos todos os dias para as mais diversas pessoas de maneira doce e afável. Quem ultrapassa o sinal e observa o senhor com cerca de um metro e sessenta de altura, de boné azul e com o braço encostado na caixa térmica, acredita que ele conhece há anos toda aquela gente que cumprimenta diariamente. Algumas talvez ele realmente conheça há um bom tempo, outras Nilson conseguiu conquistar através do seu sorriso discreto e seu jeito prestativo de não deixar um bom dia sequer passar. 

Nilson esbanja uma simplicidade sem tamanho.  Mas não uma simplicidade pela ausência de bens materiais, mas sim a de alguém que não possui nenhum tipo de prepotência. 

Expõe em seu rosto uma barba por fazer, na qual surgem resquícios de fios grisalhos e carrega no peito uma enorme satisfação de formar um filho engenheiro da computação na melhor universidade pública do norte e nordeste.

Sustenta cotidianamente no equilíbrio de sua bicicleta as adversidades da vida, as lembranças do que já viveu, mas em nenhum minuto consegue negar a uma pessoa sequer o sorriso mais cortês daquela cidade. Sua gentileza e delicadeza alastram-se pelas ruas da capital potiguar rotineiramente pelos mais de 2,5 km percorridos matinalmente, faça chuva ou faça sol.

A bicicleta azul transmove não só seu Nilson, mas um punhado de histórias, sonhos e esperanças, de sorrisos repletos de amabilidade e muita simpatia. 

Talvez na próxima calçada que passar, ou no próximo sinal que esperar fechar, você esbarre por seu Nilson. Só não esqueça de retribuir com gentileza o sorriso que percorre mais caminhos que seu dono em sua bicicleta.
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És livre. 

Entre as quatro colunas que sustentam esse sentimento não há nenhum muro ou grade que te impeça de sair;
És livre para ir quando bem entender. 
Suas asas não estão cortadas 
Podes bater vôo, 
Explorar lugares, viver seus sonhos; 
Eles são as coisas mais lindas que se pode ter; 
Saias pra onde quiseres, ria até a barriga doer, beba cerveja com os amigos, cante até o amanhecer.
Espero que sejas inteiramente feliz 
Da sua maneira 
No caminho que preferir seguir. 

Amo sem amarras 
Sem ressalvas
Sem pressão 
Amo como quem não sabe o que não é amar; 
Como se não existisse se quer uma outra opção.
No entanto, saibas que, apesar de livre, o sentimento que pulsa aqui dentro é inteiramente impetuoso
Nosso. 
Apenas nós dois. 
Como uma combinação perfeitamente simétrica de uma melodia que precisa ser ouvida
Bela, encantadora, mas arrebatadora.

Te espero como os pássaros que aguardam o nascer do sol para baterem asas;
Te gosto assim como um imã é capaz de se agarrar a uma superfície metálica com facilidade;
Te sinto avidamente igual cheiro de comida em casa da vó;
Te quero como se nenhum amor no mundo fosse parecido com o teu;
És livre
Inteiramente livre
Mas especialmente amor meu.


Paulina Oliveira
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Os pequeninos olhos não procuram mais os rostos alheios.
Eles estão lá, estáticos, exceto pelo piscar das pálpebras que ainda se faz necessário.
As palavras já não saem. Vez ou outra ainda profere ordens e negações
A vida pra ela não mais faz sentido.
Continuar nesse mundo é um sofrimento que vai durar até seu fim.
Já perdeu a vontade de sorrir;
Os abraços não são mais correspondidos.
Pra Raquel, as orações não funcionam, apenas para pedir ao ser superior que tire seus dias nesse mundo o quanto antes.
O caminhar não é mais necessário.
Toda uma vida está entre as quatro paredes de um cômodo
E a vontade de viver nem em um terço dele.
A vida acaba antes mesmo da morte chegar.
As dores diárias e o sofrimento por conta da doença ignoram tudo que ainda existe de mais sagrado.
Guarda mágoa das pessoas que tentam cuidar dos seus ferimentos, te ajudar com as tarefas básicas, pois prolongam uma vida que há semanas não mais faz sentido.
Os 92 anos de vida guardam dores que passam despercebidas até pelo mais atento olhar,

A vida para alguns é um sopro, para ela, um fardo que ainda tem que carregar.

PS: Esse foi um dos textos que mais me tocou. Enquanto eu escrevia, era impossível segurar as lágrimas. 
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Oi, Lina. Agora você deve estar eufórica. Os convidados já começam a chegar, suas amigas estão se arrumando no quarto ao lado, as mensagens de aniversário já estão sendo postadas nas redes sociais, seus pais estão recebendo seus conhecidos e você está de frente para o computador pensando em como está ansiosa para aproveitar seus 15 anos. Lembra que você sempre sonhou com esse dia? 

A Paulina de 20 está super orgulhosa por você ter escolhido a dedo seus convidados, mesmo não estando presente todo mundo que você queria. A Paulina de 15 mal sabia que momentos como esses são únicos e extraordinários, hoje ela valoriza ainda mais os momentos com os amigos, os conhecidos da época do fundamental, da brincadeira com os amigos, de ficar até tarde conversando besteira fora. 

Falando em besteira, tem coisa que hoje pode parecer bobagem, mas que daqui a cinco anos você vai sentir muito falta, coisas como acordar cedinho de manhã e passar o dia na escola se divertindo com seus colegas de classe, de chegar ao meio dia em casa e sentir o cheiro do almoço preparado por sua mãe com tanto carinho. Vai sentir falta de deitar na rede ao lado da cama do seu pai e vocês verem os gols do jogo do seu time de coração. Aos 20 você vai sentir falta de quando comia comia e não engordava, de passar as tardes jogando jogos online no seu computador até anoitecer, de comer pastel na cantina da escola no intervalo de uma tarde de estudo com suas amigas.

Por falar em suas amigas, lembra que algumas estavam sempre ao seu lado? No futuro elas seguirão outros rumos, mas continuarão do mesmo modo com você, elas irão se fazer presente mesmo estando longe, aconselhando, rindo das bobagens. Essas amizades você deve cultivar pra sempre, mas sem esquecer de dar "brecha" para outras pessoas. Você vai conhecer tanta gente incrível que você não faz ideia.

Você não vai desistir do seu curso técnico, mesmo que os assuntos estejam dificultando. Vai fazer cursinho, vai se apaixonar por alguém que não te merece, e encontrar alguém por quem vale a pena. Você vai morar longe dos seus pais, vai começar a tomar decisões importantes, resolver dos problemas mais simples aos mais complexos sozinha, vai cursar na faculdade que sempre sonhou o curso que sempre quis e vai vencer seus medos, não se desespere!

Por falar em medos, com vinte seus medos irão se acentuar e você vai ter que encará-los de frente. Coisas que te amedrontam hoje, no futuro não serão nada comparadas aos desafios que você vai se esbarrar. Mas a vida quer da gente muita coragem, e você precisa fazer uso dela. Aos 15 você pode até achar que sabe muito da vida, mas você não faz ideia do quanto vai crescer nos próximos cinco anos (psicologicamente e um pouquinho só fisicamente).

O que eu quero te dizer é que a vida quer da gente coragem, muita coragem. Ela vai te fazer a cada dia valorizar as pequenas coisas, desde o que você comeu no lanche da tarde até os momentos que você passou ao lado das pessoas que ama. Você vai sentir falta de coisas que jamais pensou que amasse e vai passar a amar ainda mais momentos e lugares que um dia foram sua rotina. Saiba que idade muda, o tempo passa, mas algumas coisas sempre ficarão em seu coração.

Com carinho, Paulina de vinte anos.
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Foto: Ney Douglas

São 10:20 da manhã. Estou finalizando a minha primeira pauta do dia. Nela, mostrei o trânsito da cidade, conversei com a população e pude perceber o clima de insegurança que estava nos olhos de cada uma daquelas pessoas. A pressa pra voltar pra casa reinava, já que numa cidade onde a segurança é inconstante, tudo que mais se deseja é estar no conforto e proteção do lar. Assim que entro no carro para voltar à redação do jornal recebo uma ligação. Outra rebelião se iniciava na penitenciária de Alcaçuz. A equipe não pestanejou e corremos para lá. Precisávamos colher a informação de perto e deixar a população informada. É pra isso que o jornalismo serve, né? ser um canal entre as informações e o público.

Este já era o sexto dia de tensão na maior prisão do Rio Grande do Norte. Duas facções criminosas, o PCC e o Sindicato do crime do RN, estavam se confrontando. Somente no último final de semana, 26 detentos tinham sido mortos, a maioria decapitados. O estado já não tinha mais controle do local que é de sua responsabilidade. Chegamos e corremos com nossos equipamentos. O "quebra pau" estava rolando. O barulho era muito intenso. Foi a primeira coisa que ouvi e vi. Tiros por todo o lado. Os policiais na guarita tentavam controlar o confronto, quando uma facção ficava próxima da outra os tiros de borracha minimizavam a situação. 

Minha miopia dificultava a observação, mas não tinha dúvidas que aquela era a melhor definição de guerra que pude encontrar na vida. Dois lados que buscavam destruir o outro, a qualquer custo, de qualquer maneira. Pela distância, mal conseguia distinguir um preso de outro, muito menos seus olhos, mas se pudesse enxergar de perto o olhar daqueles homens, eu diria que eles tinham sede, sede de vitória, de destruir o outro, de salvar a própria pele. 

O sol do meio dia irradiava por aquele amontoado de dunas e vegetação seca. Muitos jornalistas estavam ali fazendo a cobertura para seus veículos de comunicação, alguns sem dormir direito desde o início da rebelião. Buscavam o melhor lugar, o melhor ângulo, sem deixar de lado a precaução com a própria vida. O som de motos imergiu no meio do barulho dos tiros, assim como o choro de quem estava nelas. Duas mulheres, esposas de presidiários, gritavam e choravam muito vindo em direção à imprensa. O marido de uma de suas amigas, que também estava em Alcaçuz, tinha acabado de levar um tiro na cabeça. Elas protestavam contra o governo, ao mesmo tempo em que pediam misericórdia pela vida de seus parceiros.

Após colher os depoimentos. Corremos para as dunas, onde se concentravam ainda mais jornalistas, e  onde teríamos uma visão mais ampla dos acontecimentos. A areia quente atingia nossos pés, assim como os galhos da vegetação esbarravam em nosso corpo, não havia tempo para pensar, a informação tinha pressa e nós precisávamos estar à par delas. Os tiros se encerravam, mas em frações de segundos voltavam à tona. Pedras eram arremessadas de um pavilhão para outro. Um, dois, três tiros seguidos. A paz naquele local era um adjetivo inutilizado há algum tempo.

A sede por informação tomava conta das pessoas ali presente. Muitos eram os boatos, poucas as confirmações. Passei poucas horas em cima daquele morro observando a situação da penitenciária de Alcaçuz, mas a sensação era de que muito mais tempo tinha se passado, e de que aquelas imagens que estavam diante de meus olhos nada mais eram do que verdadeiras repetições. A sensação de impotência tomou conta de mim. Meu maior medo era a incapacidade de manter uma informação em tempo real sem me equivocar. O medo não me dominou, mas ele segurou meus braços, coisa que o estado foi incapaz de fazer, até o momento, no caos que o Rio Grande do Norte passa hoje.

São tempos difíceis na terra das dunas, do sol, e mais do que nunca, da insegurança.
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Saudade é tudo aquilo que não devia existir
Que se torna tão bonito pra quem não consegue sentir
É o que parece pacífico
Mas que maltrata até ferir

Saudade é o que tira o sono e ameaça machucar
Que não tem remédio que cure
E não escolhe quem pegar
Não tem gênero, nem cor
Que ela não transforme em seu lar

Saudade é quando o relógio não parece seu amigo
Que por vezes é aliado,
Nas outras inimigo
Que faz do corpo do outro um eterno abrigo

É quando o calendário resolve estagnar
Quando os sonhos se deslocam
Em busca de um lugar
Quando se quer está presente
Até mesmo sem estar

Saudades da antiga rotina
Do coração firme
E não uma ruína
De quando a vida era calmaria
E não uma turbina

Saudade do abraço que deveria durar pra sempre
Dos sonhos que construímos juntos
Do cheiro que fica na gente
De quando a vida não era só sentimento
Era guiada pela mente

Saudade de tudo aquilo que não devia ter validade
Dos dias mais bonitos
Das velhas amizades
Do amor que parte na hora
Que mais estamos com saudades
De quando o coração vira um misto
De tristeza e ansiedade

Saudade é tudo aquilo que devia ser eterno
Que ao invés de ser o céu
Pode parecer inferno
Que faz dos dias mais quentes
Se transformarem em um verdadeiro inverno

Saudade é o que fica quando todos já se foram
De quando o tempo encurta
E um coração é pouco
De quando as ruas estão cheias
E a vida parece um oco

Saudade é tudo o que não conseguimos descrever
É quando o coração fica pequeno
E ameaça desaparecer
Que amarga nosso peito
E nos faz estremecer
É quando a hora do reencontro esquece de aparecer

Saudade é aquilo que mata, mas também que fortalece
É o que faz o choro em um segundo virar prece
É o que faz meu coração ainda palpitar
É quando a partida só ajuda a machucar
É quando tudo o que mais se quer
São mais horas pra ficar
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Foto: Lucas Figueiredo - CBF / Fotos públicas (03/10/2016)

Portões fechados. Fila de espera.  RG em mãos. Ingresso suado, porém no bolso. O pensamento estava a mil. Devia ter chegado mais cedo? será que estou na fila certa? Vou conseguir ver algum dos jogadores de perto? A apreensão tomava conta de mim.

Um amontoado de camisas amarelas. Três ou quatro rostos conhecidos. Pessoas que carregavam  uma ansiedade tremenda nos olhos ao decorrer dos passos. Filas que se encontravam e se entrelaçavam, que mais pareciam de um show do artista teen do momento. Muitos corações repletos de expectativas, para poucas informações.

Os portões se abrem. O que antes era fila, se torna um amontoado de pessoas sem saber para onde vão, mas que não veem a hora de chegar. Ao passar pelo portão, já não sinto meu caminhar, mas que estou sendo carregada juntamente com aquela multidão, por uma massa com objetivos bem parecidos com os meus: ver de perto o craque do time, trocar uma palavra com algum deles, quiçá, uma selfie com Tiago Silva, ídolo tricolor.

As filas que eram mistas, agora estavam divididas entre homens e mulheres. Casais se separavam um do outro e combinavam de se encontrar lá dentro. Mães jogavam às pressas os pacotes de biscoito e salgadinhos que traziam para suas crianças, já que não se podia entrar com esse tipo de coisa. Dentro dos grandes baldes azuis ficava tudo aquilo que não poderia ser levado para a arquibancada, mas fora deles o nervosismo estava à mil.

Ao passar pelas catracas era impossível não recordar da seleção do penta, de Pelé, de Romário, de Ronaldo, a seleção canarinho que dava medo onde passava. Ao entrar me deparei com uma torcida carente de ídolos, que gritava a cada chute a gol por mais distante que a bola passasse. Um torcida admirada ao entrar e ver jogadores a muitos metros de distância. Eu, míope que sou, só conseguia ver rostos turvos e diferenciava um jogador do outro pelo corte de cabelo. O público ainda chegava, mas o treino já acontecia, parecia que já esta acabando. Neymar, o craque da seleção, estava deitado na grama, parecia apático à seleção e aos mais de 10.000 torcedores ali presentes.

Poderia me animar e dizer que vi Neymar, Muralha, Taffarel, Tite, a não ser que acreditem em meros traços de cores e formatos que não conseguiam se formar pela distância que separava meus olhos do gramado. A parte mais animada do treino, e única, eu diria, foi quando a torcida começou a fazer uma "Ola" que os jogadores não se deram ao luxo de olhar. Poucos minutos depois, jogaram alguns pertences ao público que se alegrava com aquilo que mais parecia um prêmio de consolação. Esses mesmos jogadores saíram do gramado pouco depois de cumprimentarem a torcida, localizados muito antes do meio de campo.

As mais de 10.000 pessoas ali presentes se entreolharam como se tivessem a sensação de que tivesse mais. No meio da torcida gritaram:"É uma pegadinha?". O público continuava aflito, esperando um espetáculo que não aconteceu. A passagem dos torcedores no treino do último dia 03 de outubro, foi menor do que a de Fernando Prass na seleção olímpica. A sensação que deu, foi de que o tempo dentro da arena não foi o suficiente comparado ao tempo de espera tanto na fila para a retirada do ingresso, quanto para a fila do treinamento.

Como se já não bastasse, as luzes foram sendo apagadas uma a uma, com o claro intuito de que a torcida fosse se retirando. As pessoas foram saindo e as luzes se apagando, somente a sensação de tempo perdido prevaleceu. 34 anos após o último confronto da seleção brasileira em campos potiguares, o mínimo que deveria se esperar seria um pouco de afeto. O mais interessante disso tudo e o sentimento que ficou, foi a de que o time comandado por Telê Santana três décadas atrás, parecia mais próximo que o de Tite que saiu ainda há pouco do gramado. 
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Tão natural seus olhos cerrados, o modo como nossos olhares se alinham e nossos corações entram em um pulsar uníssono. Parece que o olfato se aguça juntamente com todos os demais sentidos e eu me perco em seus braços do mesmo modo que meu corpo tem o encaixe perfeito dos seus ombros, do seu peito, das sua mãos. Procuro respostas para a sincronia dos nossos corpos,  todas elas em vão. Compadeço-me das almas alheias que porventura não tiveram o exorbitante fascínio de conhecer aquilo que alguns morrem de medo da existência. Esses temem o apego, a dependência, o medo de serem esquecidos, talvez. Possa ser que dentre os míseros e monótonos dias de uma vida, o amor possa ter aparecido  para as almas que outrora citei e essas tenham passado desapercebidas ou deixado escapar, por descuido, o que amedronta mas também tranquiliza. O amor chega. Não há como evitar. Você sente no desencostar dos lábios, no repouso do corpo, no final de uma ligação. Não existem saídas. Agarre com força ou deixe escapar. A escolha inteiramente sua. Se estiver perdido, se tiver receio, aconselho-te seguramente: se o corpo clama, se a alma pede, se os olhos se encontram e a reciprocidade é plena, não deixe em circunstância alguma a felicidade escapar. 

Paulina Oliveira
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Eram 19:57 da noite numa noite que deveria ser igual a todas as outras, mas acontece o inesperado, a partida de alguém especial desta vida. E que vida! essa que traz um vai vem de gente todos os dias, mas que leva as pessoas que amamos de uma vez para sempre. Já pensou o quão devastador deve ser os últimos segundos de vida de alguém, o último olhar, as últimas lembranças, será que existe algum fio de esperança ou só a aceitação de que o fim está realmente próximo? De qualquer modo, torço para que no fim da jornada de cada um, as coisas se arrumem de um jeito que tudo que passamos nessa vida tenha um real significado. 

 A dor é inevitável. A aceitação de que um dia essa pessoa não voltará mais, é ainda mais doloroso. Todavia, é inviável carregar essa dor pra sempre nas costas.  É claro que dói. Não dá para definir se foi o modo como a pessoa se foi, a saudade que vai ficar, o sofrimento que as pessoas mais próximas vão passar ou o que deixou de ser dito a esse alguém(ou pior, o que foi dito e não deveria ter sido) que torna toda a situação ainda mais angustiante. É indispensável seguir em frente, com passos curtos, porém firmes. Crer que é possível ver algo bom no meio dessa perda é preciso.

Costumo pensar nas pessoas que partem como flores. Um dia essas flores trouxeram bons momentos para a vida de alguém, por mais que elas murchem, as lembranças serão sempre as dos momentos bons que elas proporcionaram e da beleza que cada uma carregou, independentemente do tempo em que se fizeram presente. Minha mãe costuma dizer que a única certeza que temos dessa vida é a de que um dia todos se vão, arrisco em acrescentar que existe ainda uma outra certeza: a da trágica dor de uma perda.
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Estava eu esses dias em um dos meus canais favoritos do youtube, o JoutJout, prazer, quando me deparo com o vídeo mais majestoso que poderia ter visto no dia de hoje: não tira o batom vermelho. No vídeo, a Júlia (ou JoutJout como é carinhosamente chamada) fala sobre relacionamentos abusivos e comenta que teve a ajuda para o roteiro de algumas mulheres que relataram um pouco de suas histórias nesse tipo de relação. E gente, infelizmente esse tipo de coisa acontece com mais frequência do que deveria, na verdade esse tipo de doença (isso não pode ser outra coisa) nem deveria existir. Com certeza sua amiga, sua irmã ou até mesmo sua prima já passou ou passa por um desse tipo de dependência, e acredite isso não é nada saudável.

O relacionamento abusivo é caracterizado por ser controlador e manipulador, quando o parceiro quer impor ordens: dizer o que vestir, com quem falar, o que fazer, além de fazer ameaças sucessivas de términos de namoro e te fazer sentir culpada de qualquer briga ou discussão. Na maioria dos casos, as vítimas mudam pela outra pessoa e se tornam totalmente diferente do que eram antes de conhecê-la.

Agora vamos analisar as coisas: uma pessoa que não deixa você fazer o que bem entender, te pressiona a fazer tudo o que ele quer, te coloca pra baixo e não fica feliz com suas realizações pessoais, diz que você não é nada sem ele e te trata mal, esse alguém te ama? Será que alguém que te faz se sentir um lixo merece todo o seu amor e compreensão? amiga, senta aí mais um pouco e vamos conversar. Essa pessoa não merece estar com você em nenhuma das hipóteses, tá que você ama ele, que você adora seus beijos e se sente realizada perto dele, mas você é linda e não precisa estar com uma pessoa que quer que você seja outra. Não me venha com papo de que isso é uma fase ruim e que ele vai mudar: Ele NÃO vai mudar porque você quer, ele nem aceita suas opiniões. Desculpa, mas ele não te ama!

Vou até citar o trecho de um texto que li da Priscylla Piucco e da Sofia Soter para a revista capitolina:
"Não vale a pena se permitir sofrer desse jeito porque você ama a pessoa. Quando ela abusa de você, sua atitude é a maior prova de que o amor não é recíproco. Amor não sufoca, não controla, não humilha, não abandona, não machuca, não faz pressão psicológica, não ameaça, não agride, não mente. Isso é abuso, amor é outra coisa." 

Se mais de uma pessoa veio conversar com você e já te aconselhou a sair dessa, reveja se você passa a maior parte do tempo feliz ou triste quando está com ele e tire suas próprias conclusões. Um conselho de amiga: você merece um alguém que te ame e te faça bem. Por mais doloroso que seja, tente se libertar disso. Vale ressaltar que ainda que digam o contrário, a culpa não é sua. Por fim, parafraseando uma imagem que vi e independentemente de como é seu relacionamento, "você é linda, você é incrível e você não precisa estar com quem te faz mal."

 Logo abaixo se encontra o vídeo que inspirou isso tudo. Ta com preguiça de ler? Veja o vídeo!

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Já fazem quase seis meses que estou morando longe dos meus pais, e meu Deus, como passa devagar! Agora que estou de férias pode ser que alguém comente: "foi num instante! Jajá se passam os 4 anos". Mas somente quem mora longe de casa sabe como é frustrante ficar longe da comida da sua mãe, das risadas dos seus amigos, do carinho do namorado ou das brincadeiras do seu pai. Ninguém faz ideia do quão é aterrorizante por volta das 17:50 num domingo chuvoso que você olha pra todos os espaços daquilo que chamam de "sua nova casa" e você não tem ninguém pra conversar. O quanto é ruim querer um ombro amigo pra desabafar e ter que recorrer para um simples smartphone, esse que infelizmente nunca vai ser bom como um colo de mãe. 

 É frustrante saber que suas roupas não se lavam sozinhas, que quando você tiver com fome você que vai ter que se virar, que estudar acaba se tornando não uma pressão dos seus pais, mas uma obrigação do seu próprio ego em ver todas aquelas apostilas em cima da cama. Vai ter uma hora que vai precisar usar da força da sua mãe, principalmente naqueles momentos que tudo que você quer é sair correndo pra casa. Precisará fazer uso da persistência do seu pai, quando as coisas não estão dando certo e não tem fulaninho que mora logo ao lado que pode te ajudar com determinada disciplina. Da alegria da sua irmã, quando você só precisa colocar um sorriso no rosto quando as coisas estão se acumulando, e da esperança da sua vó, quando tudo aquilo que você precisa é somente um abraço do seu amado naqueles dias em que tudo está dando errado. Vai lembrar do quão está longe deles, mas como suas atitudes são refletidas em uma vida coberta de princípios. 

Quando você menos esperar vai estar em um ciclo repleto de pessoas que você nunca viu antes, sem deixar de lado os velhos amigos. Se dará conta que as responsabilidades irão triplicar e que você tem que ser você, não pelo seu ego, mas por eles. Lembrará da sua velha rotina querendo que tudo seja como antes, tempo que podia ver o que te fazia bem todos os dias. Um dia vai olhar pela janela e ver que um dia, talvez, o que hoje dá medo, se tornará sua rotina e sua futura saudade. Que por mais que doa e seu coração esteja lá, você tem que ser forte mais do que nunca aqui, hoje e agora. Mesmo distante, você vai perceber que seu lar está dentro de você.
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Era calmaria, agora inquietação. É uma mistura de ansiedade com temor. É um bem querer sem saber como se pode querer algo tanto. É um frio na barriga. Um medo de perder. Uma vontade de fazer dos teus abraços meu lar. É a pulsação acelerada, juntamente com suspiros ofegantes a cada dois segundos. É pensar em você e acreditar que nenhuma pessoa no mundo inteiro poderia me deixar assim. O miserável receio de não ser suficiente. Um medo de me entregar demais, de amar demais, de querer demais. Você é como um tornado, mesmo sem querer, mesmo sem saber. Eu, apenas uma brisa no meio dessa confusão. A sensação de não poder fazer nada e, infelizmente, estar esgotada em suas mãos. Só te peço que não me deixes assim, sem rumo, sem direção. Não me faças sonhar com você e logo em seguida tudo ser em vão. Me faça um favor, me pegue por inteira, todavia não me esqueça na rua chamada ilusão.
Paulina Oliveira
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O que será que existe por trás dessa vidraça? Quais são os medos e sonhos que se escondem por esse emaranhado de casas e pessoas? Quantos sonhos foram deixados pra trás nesses últimos dias? em que milésimo de segundo deixaram de acreditar que a realização deste pode se encontrar na próxima esquina? O que aflige cada pessoa que passa nesse instante? será que é o medo de não tentar ou o medo de ter uma tentativa fracassada dentre tantas? Três jovens passam agora por baixo dessa sacada. Nesse segundo o mais alto sorri para os demais e fica pensativo logo em seguida. Será que algum sonho abandonado voltou à tona? ou terá sido um medo retraído? Por trás dessa vidraça há um mundo. Um mundo de sonhos em que o medo nem ninguém deve impedir que esses venham a se tornar reais.

Paulina Oliveira
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Sinceramente, eu não sei o que está acontecendo comigo esses dias. Ultimamente tudo está tão chato, tão parado, tão monótono, tão estranho. Parece que todo mundo fica rindo da piada e só eu não entendi. Parece música boa que todo mundo ouve, só eu não consigo escutar. Parece pôr do sol em sábado de carnaval, onde eu perdi a hora e cheguei quando já era noite. 

Estou tentando há dias procurar o que danado está me tirando o sono, que tira meus sorrisos, que me faz ficar assim. Vejo todo mundo seguindo em frente, juntando as roupas, jogando na mala e pegando o próximo voo. E eu, em pleno sábado de manhã, jogando baralho só, esquentando a comida da noite passada e ouvindo a rádio que está na sintonia errada, talvez eu quem seja errada. Talvez tenha alguma corda, cordão, fio, segurando minha perna, me impedindo de sair por aí a fora, de viver, de sonhar. Todos estão achando o rumo da vida, curtindo adoidado, beijando poste, pulando muros, dançando sem saber com quem, nadando sem saber nadar, levando cerveja do comércio do seu Zé sem pagar. Só eu que não acho graça nisso? Só eu acho que a vida não é isso? 

Existe algum problema em seguir caminho diferente dos demais? Em correr pelo caminho da música calminha (ou pesada com letra) ao invés de ir pulando no próximo bloco de carnaval por causa do filho do amigo da vizinha daquele cara que minha ex-colega acha bonito? Fala sério! A vida é bem mais que correr descalço em caco de vidro, de sair pegando 5 em uma festa, de distribuir amor sem se amar, de dançar sem ouvir música, de contar história que veio da boca de terceiros, de contar piada sem entender nada. Cansei de ficar no meio de rodinhas só pra, talvez, ser um dia aceita em algum grupinho que só quer que você se exploda pra sair contando para o mundo todo. 

Cansei de ser parasita, de ser ovelha em um rebanho, de ouvir opiniões alheias e me abalar. Eu sou muito mais que isso. Não fui escolhida no meio de tantos só pra ser mais algum que faz tudo igual a todo mundo. E se isso não é o certo? Se eu perder a vida? Nada disso. Ganharei muito mais sendo eu mesma, me amando, me querendo bem, sorrindo para vento sem medo do que as pessoas superficiais irão pensar. Sabe o que eu quero? Ser eu mesma, de dentro pra fora, sem medo, sem restrições, sem pensamentos implantados por outros. Quero ir além do que a vida prevê pra mim, ou pra qualquer outra pessoa que se julga ela mesma, sendo mais mundo todo que um pouco de si.
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Jornalista. Blogueira desde 2011. Metade de mim é amor, a outra metade é fluminense, séries e los hermanos. Se você gosta disso, de indicações de filmes, livros e muito mais, esse é o lugar certo.

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